PERSEGUIÇÃO E MORTE NA FEIRA DAS VAIDADES. Minha metáfora favorita para a vida sempre foi a estrada. É fato: na frase “A vida é como uma estrada”, a palavra “como” não tem direito de estar ali. A vida é uma estrada, e somos peregrinos nela. Somos Odisseu, Enéias, Dante, Dom Quixote, Huck Finn, Bilbo Bolseiro e aquele grupo heterogêneo que se junta a Chaucer na longa estrada para a Cantuária.
Bunyan deu-me um método e uma linguagem – a da alegoria – ao traçar a jornada interna e, ao fazê-lo, capacitou-me tanto a enxergar a estrada quanto a avaliar meu progresso ao longo do caminho. Ele não inventou a alegoria, e certamente existem muitos lugares em O Peregrino que fazem atolar ou se tornam prolixos e enigmáticos; mas conseguiu tocar algo muito profundo na psique humana. É por isso que seu livro, embora aparentemente se dirigisse apenas aos puritanos ingleses, apresentou um apelo universal.
A estrada que Cristão pega em seu caminho para a Cidade Celestial é perigosa, e disso aprendi que devo estar vigilante.
O principal perigo que ele encontra é a Feira das Vaidades, o grande bazar onde tudo está à venda – de prata e ouro a casas e terras; de títulos e reinos a maridos e esposas. Bunyan viveu no despontar do capitalismo internacional, e foi um dos primeiros a ver o sua armadilha espiritual mais perniciosa: não – como os medievais teriam argumentado – que se alimenta da usura (empréstimo a juros), e sim que reduziu tudo a uma etiqueta de preço.








