A Maria Elisa
Homero Homem
Minha filha nasceu de madrugada.
Com seu canto,
um pássaro flertava a estrela-dalva
e assim nascia o dia – e minha filha.
Botão de rosa, pétala de choro
Ferindo cerne mãe, roseira mansa
Em ofego e trileno enraizada,
Minha filha nasceu. Pajem da aurora
entre roupagens lívidas, assépticas,
meu braço rude aconchegou seu grito,
claro fragor no vidro da manhã.
Minha filha nasceu de madrugada,
corola pequenina aberto ao próprio
pólen do pranto, selo de existir.








