Se existe um sobrenome ligado à música, ele se chama Bach. Desde Veit Bach, que no século XVI tocava cítara enquanto moía seus grãos, até 1685, quando nasceu Johann Sebastian, são contados 27 músicos Bach – de 33 homens nascidos com o nome. É, portanto, uma tradição respeitabílissima.
O maior de todos os Bach, Johann Sebastian, nasceu em 21 de março de 1685, em Eisenach, pequena cidade da Turíngia, leste da Alemanha. Era filho de um músico, claro, Johann Ambrosius Bach, Haussmänner (músico municipal). E foi o próprio pai quem o iniciou na música, ensinando-lhe violino, ao lado do tio Johann Christoph, que passou os primeiros rudimentos de órgão. Muito novo, Johann Sebastian passou a cantar em coros e assim ia entrando no mundo musical.
Mas sua infância ficou marcada mesmo pela orfandade: sua mãe morreu quando tinha nove anos e seu pai, quando tinha dez. Desde então, foi criado pelo irmão mais velho, Christoph, que trabalhava como organista em Ohrdruf, cidade próxima, onde passariam a morar.
Aos quinze anos, Johann Sebastian conseguiu entrar na escola de São Miguel de Lünenburg, onde cantaria no coro e teria ensino formal de música. Fez progressos admiráveis, e, aos dezoito anos, foi contratado, sem concurso, como organista da Nova Igreja de Arnstadt, recém-construída.
Ele perdeu o emprego alguns anos depois, ao se ausentar por quatro meses, para ir a Lübeck conhecer o célebre Buxtehude, que admirava. Mas não permaneceu muito tempo desempregado: foi logo admitido como organista em Mühlhausen. E, em 1707, se casou com Maria Bárbara, uma prima distante.
No mesmo ano, transferiu-se para a corte de Weimar, para trabalhar como organista, violinista e compositor. Ficou por lá até 1717, período esse cheio de conflitos com o duque – ambos, Bach e o nobre, tinham personalidades difíceis.
Depois de Weimar, foi para Köthen, onde trabalhou para um príncipe mais amigável, Leopold d’Anhalt-Köthen. Foram cinco anos frutíferos. Como Leopold era calvinista, Bach não podia escrever música religiosa para o culto, ficando restrito à música instrumental – datam dessa época os Concertos de Brandenburgo, o Cravo Bem-Temperado, a maior parte de sua música de câmara, as suítes orquestrais…
Durante a temporada em Köthen, Bach ficou viúvo de Maria Bárbara, casando-se em seguida com Anna Magdalena Wilcken, uma das cantoras da corte. A morte da esposa aguçou-lhe o sentido religioso e a vontade de retomar a tradição familiar de trabalhar para a igreja; em 1723, obteve o cargo de Kantor (professor e diretor musical) na Igreja de São Tomás, em Leipzig.Paralelamente, Bach exercia as práticas místicas, que muito o ajudavam no seu dia-a-dia.
Foi em Leipzig que Bach compôs a maior parte de suas cantatas, as duas Paixões e a Missa em Si Menor. Mas a rotina na igreja e na escola foi o amargurando. Bach, pouco a pouco, foi se isolando. Chegou mesmo a compor muito pouco – dedicava-se mais a remanejar as obras antigas, fazendo transcrições para o órgão ou as readaptando – o que era especialmente estranho para um músico que conseguira compor uma cantata por semana.
Em 1750, fica cego. Desesperado, tenta duas cirurgias com um charlatão inglês, John Taylor, mas elas só pioram sua situação: ao dia 28 de julho, morreu Johann Sebastian Bach.









