Lídia Baís, a Artista de Campo Grande
A Escritora Nelly Martins, em seu livro “Vivência”, dedica uma crônica à memória de Lydia Bais, a quem chama de “A menina de cabelos cacheados e brilhantes”. Dentre tantas atividades na vida dessa pequena-grande Mulher, ela foi Rosacruz, Franciscana da Ordem Terceira e amou o próximo como a sí mesma. Informa ainda Nelly Martins que “Lídia conviveu com os animais. Tinha centenas de cães, muitos gatos e pássaros”. Ela nunca fez distinção de classes. Os humildes ocuparam, na sua existência o mesmo espaço que coube aos poderosos. Em toda a sua vida, foi despreendida das coisas materiais, procurando estudar as coisas de Deus, levando vida de recolhimento, com muita filosofia e requinte de verdadeira genialidade. Dividia com os outros o pão de cada dia, servindo a mão cheia, sem nunca se preocupar com o amanhã e sem a pretensão de dar lições a quem quer que seja. Lídia Baís entrava em transe e recebia bênçãos, alem de ter composto e gravado músicas, que vinham do Além. Para essa Grande Mulher de pequena estatura, “Todos os Caminhos seguiam rumo ao Deus de nosso Coração.”
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Lídia Baís está mais viva do que nunca. A famosa frase que sempre profetizava aos familiares – ‘por minha causa vocês vão ficar na história’ – aos poucos vai fazendo sentido. Virou peça teatral, objeto de estudo acadêmico e biografia. Sua pequena obra começa a ser restaurada e os quadros expostos coletivamente, além de causar frisson no meio universitário, atraindo estudantes fascinados por sua história. Em 2005 foi uma das personalidades homenageadas do Festival América do Sul. É a volta por cima da campo-grandense que encaixotou os próprios quadros, viveu reclusa grande parte da vida e, sem dúvida, foi a primeira pessoa considerada artista em Mato Grosso do Sul.
Lídia Baís viveu entre 1901 e 1985. Seu pai, Bernardo Franco Baís, foi um dos fundadores da cidade e comerciante de sucesso. Após passar por vários internatos, a moça acabou indo morar no Rio de Janeiro para estudar pintura com Henrique Bernadelli, em 1926. No ano seguinte, fez uma viagem com o tio Vespasiano Martins para a Europa e entrou em contato com o surrealismo. Além disso, foi colega do pintor Ismael Nery durante uma temporada européia entre 1927 e 1928. Após o verdadeiro petardo cultural a que foi submetida, Lídia retornou ao Rio de Janeiro, estudou com os irmãos Bernardelli e fez estágio na Escola Nacional de Belas Artes com Oswaldo Teixeira. Em 1930, a família a obriga a retornar a Campo Grande, então uma cidade de 25 mil habitantes.









