Marlene Santos
fala sobre seu
livro “Uma Viagem”
De onde vem tanta paixão pela Europa?
talvez esta paixão venha dos livros de história. Além disso, vivendo no velho
continente há sete anos, eu não poderia ter encontrado melhor lugar no mundo
para caminhar lado a lado com a teoria e com a prática.
Risos… Esta é
verdadeiramente uma pergunta difícil para responder. O Brasil é um país com
dimensão continental, e suas riquezas culturais são inúmeras e diversificadas.
Daí a dificuldade de uma imagem única dos brasileiros. O que posso afirmar é
que o Brasil está constantemente nas manchetes europeias, e tudo o que se passa
entre nossas fronteiras é destaque do outro lado do Atlântico, principalmente
após a conquista para sediar os grandes eventos mundiais como a Copa do Mundo e
as Olimpíadas, motivo de muitas expectativas e especulações.
pré-julgamentos?
existe um antes e um pós-viagens. Antes eu estava habituada somente com as
notícias nacionais, e as internacionais ficavam sempre em segundo plano. Hoje
em dia, isso mudou e procuro acompanhar com interesse tudo o que se passa no
resto do mundo sem, portanto, me deixar cair na tentação de um único ponto de
vista.
Qual é seu maior medo?
De um dia, por uma razão ou
outra, não poder mais viajar.
juventude? Isso é verdadeiro?
Acredito que sim, falando de
experiência própria. Se eu pudesse desejar algo para os brasileiros neste fim
de Ano, eu desejaria que todos tivessem a mesma oportunidade que tive e que
continuo tendo de viajar pelo mundo. Viajando mundo afora, nos últimos anos,
aprendi tanto o que certamente não teria aprendido nos bancos das
universidades. O contato direto com diferentes nações e culturas me
enriqueceram em todos os sentidos, sobretudo como ser humano. Hoje, me sinto
muito mais humana, a ponto de querer dividir com o outro seu sofrimento e vejo
com profunda tristeza os rostos de nossas crianças vendendo balas pelas ruas da
cidade…
com H maiúsculo te ajudou
Sem dúvidas, principalmente
sobre as três religiões monoteístas: judaísmo, cristianismo e islamismo.
visitá-los?
sobretudo da Alemanha. No caso em particular da Alemanha, antes eu estava
acostumava a ler artigos de jornais e revistas sempre associando o país ao
nacional-socialismo, como por exemplo, Alemanha: de Hitler a Bento XVI. No
entanto, apesar do seu peso histórico nefasto, a Alemanha do Século XXI, nem
bélica nem temerosa, cedeu lugar à diplomacia com sabedoria e soube virar as
páginas da funesta herança hitleriana. Atualmente, o país que renasceu de suas
próprias cinzas, é uma superpotência mundial e um modelo para o resto do mundo,
pois entre suas fronteiras temos a prova concreta de que quando uma democracia
é bem conduzida com o rigor prussiano, é a nação inteira que sai ganhando.
Estados Unidos e sobre o Oriente Médio?
Totalmente. A Europa é o berço
da nossa civilização, e um mosaico cultural riquíssimo que tem muito a nos
ensinar, mas é ao mesmo tempo extremamente complexo. Em relação aos Estados
Unidos, o que tenho a dizer é que não tem mais cabimento em nossos dias, o puro
e simplista antiamericanismo à la chavista, ainda muito presente no
continente sul-americano. Agora, em relação o Oriente Médio, sobretudo Israel e
Palestina, logo na primeira viagem pela Terra Santa, a ideia que fazemos de um
israelense, de um palestino, de um árabe, de um judeu e de um muçulmano tem
grandes chances de dissipar-se rapidamente. É um mundo distante e complexo
demais para ser entendido, onde tudo parece ser tão normal, tão natural…
Para você, a visita em Auschwitz
mundo?
Completamente. Passaram-se
mais de sete décadas da Shoah, mas ainda em nossos dias permanece impregnada no
ar uma sorte de carga negativa que palavras dificilmente traduziriam o que
realmente sentimos quando penetramos nos campos de concentração de Auschwitz e
Auschwitz-Birquenau. Terminadas as visitas ninguém consegue segurar suas
emoções. No meu caso em particular, a visita seguiu com uma infinidade de
noites mal dormidas.
Holocausto (Polônia, Lituânia, Letônia e Estônia),
consciência, como brasileira,
Sim, mas em nada comparado com
tudo àquilo que aprendi durante as visitas nos campos, nos guetos, nas
florestas bálticas… De volta à Suíça onde vivo atualmente, li inúmeros livros
sobre o assunto, assisti numerosas e repetidas vezes documentários sobre a
Segunda Guerra Mundial ou apocalipse bíblico, e especialmente sobre o
Holocausto, mas tenho a impressão que quanto mais aprendo sobre a Shoah, menos
eu sei.
apreciar este país?
Evidentemente, e de modo
especial à Romênia.
grandes navegadores dos séculos 15 e 16,
Foi uma longa viagem no
tempo… Tais visitas proporcionaram-me conhecer melhor a história de nossa
própria origem, e isso fez com que despertasse em mim um vivo sentimento de
forte vínculo com a Europa.
Álvares Cabral?
Curvar-me diante da sepultura
de um dos maiores navegadores de todos os tempos, dentro de uma igrejinha na
cidade de Santarém, em Portugal, me permitiu um novo e diferente olhar para
esta pequenina nação portuguesa que soube escrever com grandeza uma das mais
belas páginas da história do século XVI.
descoberta
será o lançamento no Rio?
Este livro é um autobiográfico
e fruto dos últimos sete anos viajando ao redor do mundo. Foram formidáveis
descobertas e uma experiência única na vida. Não é um livro de história, mas
contém numerosos ensinamentos históricos, nem tampouco um guia turístico, no
entanto, descrevo em detalhes várias cidades, cidadelas e vilarejos pitorescos
com interessantes e curiosas observações históricas, políticas e culturais,
sobretudo no velho continente. O lançamento no Rio será em breve, porém, logo
após ser lançado em São Paulo, o livro digital estará à venda no site da
All Print Editora: www.allprinteditora.com.br.









