Acadêmicos e Academia
A ABL possui rostos sérios de escritores do passado, alguns deles eram
bem-humorados. O poeta Olavo Bilac, por exemplo, brincava que os acadêmicos
eram chamados de ‘imortais’ porque ‘não tinham aonde cair mortos’. Piada,
claro: a Academia paga a seus membros planos de saúde, jetons por participação
no tradicional chá às quintas-feiras e ainda garante um lugar no Mausoléu da
Academia Brasileira de Letras, no cemitério de São João Batista, Rio de
Janeiro. Sim, os imortais também morrem. É apenas quando isso acontece que uma
cadeira fica vaga. Ao todo, são quarenta cadeiras fixas — quando um dos membros
morre, é convocada uma nova eleição. Por isso, a idade média da Academia é tão
alta: o mais jovem ali é Paulo Coelho, com 66 anos. Esse ritual de ‘herança das
cadeiras’ cria uma verdadeira árvore genealógica de cada uma delas. A famosa
Casa de Letras clima mais parece ‘panelinha’ que reina entre os acadêmicos
desde que Machado de Assis tomou posse como o primeiro presidente. A posse na
ABL deve ser um dos poucos dias em que um escritor brasileiro tem um dia de
celebridade. Sem o fardão, esses senhores tão importantes para a Cultura do
País são bem menos conhecidos que qualquer cantor de rap.









