“elite” literária do país. “A ABL, a casa de Machado de Assis, que deveria ser
a guardiã implacável dos valores da literatura, a defensora intransigente da
meritocracia, a defensora dos escritores, o selo de qualidade, o passaporte
final para a posteridade, é uma casa menor, em alguns momentos parecendo mais
uma cloaca de fazenda do que um lugar de luzes e de letras”.
Na prática, os “imortais” fizeram uma negociata com a “cadeira” da ABL num
escambo dos mais vergonhosos. Afinal, como diz Luis Nassif, “Merval tem a
visibilidade e o poder proporcionados pela Rede Globo. Tem moeda de troca – o
espaço na TV Globo, podendo abastecer o ego dos seus pares e as demandas da
ABL. Poderia até ganhar prêmios jornalísticos, jamais a maior condecoração da
literatura brasileira”.
“Calunista” do mercado e da direita
Como lembra Mário Augusto Jakobskind, esta não é a primeira vez que a ABL serve
aos poderosos. Em pleno regime militar, ela elegeu como “imortal” o general
Aurélio Lira Tavares, ministro do Exército da ditadura. Agora, ela escolhe
Merval Pereira, um dos colunistas preferidos do “deus-mercado”, inimigo
golpista do ex-presidente Lula e amiguinho dos “milicos de pijama” e da direita
nativa.
Na campanha eleitoral do ano passado, o “calunista” global virou estrela no
Clube Militar e nos debates do Instituto Millenium. Agora, passará a frequentar
as festanças dos “imortais”, destilando o seu veneno elitista contra tudo o que
há de progressista na sociedade. A Academia Brasileira de Letras se apequenou
ainda mais com esta lamentável escolha. Na verdade, a Academia Brasileira de Letras faz “trapaças” em nome das Letras.







