Quem foi Rui Barbosa
Rui Barbosa foi, sem dúvida, um dos mais importantes personagens da História do Brasil. Rui era dotado não apenas de inteligência privilegiada, mas também de grande capacidade de trabalho. Essas duas características permitiram-lhe deixar marcas profundas em várias áreas de atividade profissional nos campos do direito – seja como advogado, seja como jurista – do jornalismo, da diplomacia e da política.
Orador imbatível e estudioso da língua portuguesa, foi nomeado presidente da Academia Brasileira de Letras em substituição ao grande Machado de Assis. Rui representou o Brasil com brilhantismo na Segunda Conferência Internacional da Paz, em Haia e, já no final de sua vida, foi nomeado Juiz da Corte Internacional de Haia, um cargo de enorme prestígio. Em suma, Rui foi um cidadão exemplar e, ainda hoje, sua memória é fonte de inspiração para um grande número de brasileiros.
A GARAGEM DE RUI BARBOSA
A garagem da Casa de Rui Barbosa, localizada no jardim, abriga quatro viaturas, um automóvel Benz, de tração a motor e três carros de tração animal: uma vitória, um landau e um cupê. Abaixo um passeio tridimensional virtual na Garagem de Rui Barbosa…. Conheça, pode movimentar a figura com o mouse para passear em todos os cantos:
Vitória
De origem inglesa, surgiu em meados do século XIX. Era um carro macio e leve, com capota móvel, puxado por dois cavalos. As mais elegantes eram pretas, sem decoração. Seu nome veio da rainha Vitória, da Inglaterra, que pôs na moda essa carruagem.
Cupé
De origem francesa, chegou ao Rio de Janeiro nas primeiras décadas do século XIX. Em meados do mesmo século, passou a ser fabricado na cidade. Era um dos veículos preferidos pela alta burguesia. O cupê, puxado por 2 cavalos, foi oferecido a D. Maria Augusta por seu irmão Carlos Viana Bandeira. Era a alegria da criançada. A neta de Rui, Lucila Batista Pereira, lembra como gostava de brincar dentro dele, forrado de cetim cor de pérola.
Landau
De origem alemã, seu nome vem da cidade de Landau, antiga Prússia, onde foram construídas as primeiras dessas viaturas, muito usadas nos séculos XVIII e XIX, principalmente pela alta burguesia e profissionais liberais. Identificado pela capota dupla, móvel, em sanfona, que se abre ao meio, descendo para os lados, o veículo era puxado por quatro cavalos.
– muito usado nos séculos XVIII e XIX, principalmente pela alta burguesia e profissionais liberais.
– identificado pela capota dupla, móvel, em sanfona, que se abre ao meio, descendo para os lados.
O landau de Rui é do século XIX puxada por uma parelha de cavalos e lhe foi oferecido pelo cunhado Carlos Viana Bandeira e pelos amigos Carlos Nunes de Aguiar e Antônio Barroso Fernandes. Assim também o coupé e o vitória. Este último, o preferido da família, foi depois vendido e rodou muito, a aluguel, pelas ruas de Petrópolis, onde fez fama por ter pertencido ao Conselheiro.
Mas Rui Barbosa possuiu também automóveis propriamente ditos. Teve um Ford bigode, com vidros, disputado pelos netos, que, em Petrópolis, à noite, tiravam-no da garagem, sem ligar o motor, empurrando-o pela rua, até o posto de gasolina, onde enchiam o tanque, por conta de Rui. Quando Maria Augusta descobriu, proibiu esses passeios. O mais famoso foi o Daimler Benz.
Daimler Benz
Fabricado na Alemanha em 1913, seu motor tem 55 HP, oito cilindros e desenvolve velocidade máxima de 80 km/h. O volante é à direita. Tem assento para duas pessoas, havendo dois pequenos bancos dobráveis, sobressalentes. A cabine da frente tem lugar para motorista e ajudante, necessário para ajudar a dar a partida – por meio de manivela e aceleradores localizados no pedal, no volante e ao lado da manivela. Os passageiros, no compartimento interno, comunicavam-se com o motorista por meio de um rústico telefone de tubo.
O veículo tem acessórios requintados: floreiras de cristal, porta-cartões e pequena mesa desmontável. Foi encomendado à firma Steimberg & Mayer, representantes da fábrica no Brasil, por Joaquim De Lamare e, em 1915, adquirido por Joaquim Pereira Teixeira para ser oferecido a Rui Barbosa.
Seu pai, Joaquim de Lamare, industrial e grande admirador de automóveis, o adquiriu através da firma Steinberg & Meyer, representantes da fábrica Benz no Brasil. Por problemas financeiros, ele o vendeu a Joaquim Pereira Teixeira, deputado federal pela Bahia, que o ofereceu ao casal amigo Rui Barbosa. Rui devolveu o carro duas ou três vezes, até que Joaquim o ofereceu a Maria Augusta.
Sua placa era 833 e foi um dos poucos automóveis de alto luxo a percorrer as ruas do Rio de Janeiro do princípio do século. Exposto na garagem em companhia de duas das carruagens, é uma das peças de maior valor do museu da Fundação Casa de Rui Barbosa.
No Livro – “Assim falou o 833: revelações de um carro de Rui Barbosa” quem conta a história é o próprio carro. É verdade que não se trata de uma história tradicional, com princípio, meio e fim. O 833 (esse é o número da placa do famoso Benz de Rui Barbosa) conta um pouquinho da vida política e do dia-a-dia dessa importante figura de nossa história, com palavras do século XIX e outras do século XX. O livro foi escrito em 1999 e contém muitas ilustrações, algumas realistas e outras bem engraçadas. Orígenes Lessa, o autor, foi funcionário da Casa de Rui Barbosa e é um escritor bem divertido.
Acima, para quem quiser conhecer um dia… Apresentamos um vídeo da Casa de Rui Barbosa que fica na: Rua São Clemente em Botafogo (cidade do Rio de Janeiro), que, no século XIX e primeiras décadas do século passado, era o bairro preferido pela aristocracia.
Foi deputado, senador, ministro e candidato á Presidência da República em duas ocasiões, tendo realizado campanhas memoráveis. Seu comportamento sempre revelou sólidos princípios éticos e grande independência polÍtica. Participou de todas as grandes questões de sua época, entre as quais a Campanha Abolicionista, a defesa da Federação, a própria fundação da República e a Campanha Civilista. Mesmo admirando a cultura francesa, como todos os intelectuais de sua época, Rui conhecia também a fundo o pensamento político constitucional anglo-americano, que, por seu intermédio, tanto influenciou a nossa primeira Constituição republicana. Era um liberal, e foi sempre um defensor incansável de todas as liberdades.








