A RESSURREIÇÃO DO FILHO DA VIÚVA DE NAIM
(Lucas 7.11-16)
E aconteceu que, no dia seguinte, Ele foi à cidade chamada Naim, e com Ele iam muitos dos Seus discípulos, e uma grande multidão; quando chegou perto da porta da cidade, eis que levavam um defunto, filho único de sua mãe, que era viúva. Com ela ia uma grande multidão da cidade. Vendo-a, o Senhor moveu-se de íntima compaixão por ela, e disse-lhe: “Não chores!” E, chegando-se, tocou o esquife, e os que o levavam pararam. Jesus disse: “Jovem, levanta-te.” O defunto assentou-se, e começou a falar. E, assim, foi entregue à sua mãe. O temor se apoderou de todas as pessoas, e glorificavam a Deus, dizendo: “um grande Profeta se levantou entre nós, e Deus visitou o seu povo.” (Evangelho de Lucas 7.11-16)
Introdução
Antes de qualquer narrativa sobre o episódio da Ressurreição do filho da Viúva de Naim, é necessário dizer que cidade era esta, nos tempos do Mestre Jesus. Naim era um vilarejo agrícola na época de Jesus, aninhado no sopé do monte Moré, que definia a margem ocidental do vale de Jezreel. A cidade propriamente dita ficava fora do caminho mais trilhado. O acesso se limitava a uma única estradinha. Na época de Jesus, aquele assentamento devia ser bem pequeno e relativamente pobre, e ainda continua assim desde tempos remotos. Houve ocasiões em sua história em que a cidade chegou a ter apenas 34 casas e somente 189 pessoas. Por informações extraoficiais, acredita-se que atualmente vivam ali cerca de 1.500 habitantes.
Um breve relato do milagre registrado no capítulo 7 de Lucas, mostra Jesus parando um cortejo fúnebre, para trazer milagrosamente um rapaz morto de volta à vida. Mas há muito mais a ser entendido na situação. Entre tantos e tantos milagres operados, o contexto em epígrafe é vital para a compreensão da ocorrência na pequena vila. A mulher é a viúva de Naim, e para muitos exegetas, essa viúva representa a essência da ministração personalizada feita pelo Redentor, e de como Ele ajudava as pessoas desanimadas e comuns da sociedade naqueles dias. O fato narrado responde de modo objetivo e claro à dúvida, a respeito do interesse de Deus pela vida das pessoas. A ministração à viúva de Naim feita pelo Rei dos reis, confirma que todos os seres humanos são importantes para Ele e que jamais se esquecerá de nenhum ser vivente. Ninguém, em nenhuma hipótese, pode se esquecer disso.
Ilustração
Lucas observa em seu texto que Jesus estava em Cafarnaum no dia anterior e havia curado o servo do centurião, conforme Lucas 7.1-10. Depois, ele informa de que “no dia seguinte”, Jesus foi para uma cidade chamada Naim, acompanhado por um grande grupo de discípulos. Essa sequência é muito importante. Cafarnaum fica na costa norte do Mar da Galileia, a 180 metros abaixo do nível do mar. Naim fica a aproximadamente 50 quilômetros a sudoeste de Cafarnaum, a 200 metros acima do nível do mar, exigindo, portanto, uma árdua subida colina acima para se chegar à cidade. Para caminhar de Cafarnaum a Naim, seria necessário ao menos um ou dois dias de viagem. De quando em vez, as peregrinações acontecem na região. Consta que numa delas, um grupo de buscadores levou dez horas para percorrer a pé esse trajeto, em estradas pavimentadas. Isso significa que Jesus deve ter precisado acordar bem cedo ou até caminhado durante a noite, para interceptar o ato fúnebre naquele dia.
Argumentação 1 – O filho da viúva de Naim, que além de ser seu único filho, era também a sua última esperança, veio a falecer. E agora, o que seria dessa mulher? Viúva e sem filhos, corria o risco de passar o resto de seus dias a mendigar, caso não tivesse um parente próximo que pudesse ajudá-la. Não havia muito amparo e consolo para uma viúva, e com a morte de seu filho, agora ela estava sozinha. Ela chorava pensando no dia do amanhã, e se lembrava que antes sua vida era perfeita. Já que para um judeu, se casar e ter um filho homem, era um sonho e ela o tinha realizado. Mas agora tudo se foi! O que seria dos seus planos que foram interrompidos, tão repentinamente? Assim, seu futuro estava comprometido e fadado ao fracasso.
Argumentação 2 – Assim é a nossa vida, fazemos planos, traçamos nossas metas e objetivos, temos sonhos e queremos muito que eles se realizem em nossas vidas, mas algo acontece no meio do caminho e agora estamos sozinhos e com uma última esperança. Pessoas nos abandonaram, ou talvez perdemos tudo o que tínhamos. Coisas desagradáveis acontecem: um casamento desfeito, a notícia de uma enfermidade, ou algo que tira o nosso sono. Mas ainda não perdemos literalmente tudo, ainda existe em nós uma última chance, uma última esperança! No caso da viúva, ela se preocupava com os problemas do quotidiano, com a morte do único filho.
Argumentação 3 – Jesus ao ver aquela mulher teve compaixão e indo na direção daquela viúva disse: “não chores”. Parece loucura o que Jesus disse; talvez ali tivesse alguém que tenha pensado: “como não chorar diante da calamidade que esta mulher está vivendo!” Parece ter perdido o marido e agora seu único filho, e já não lhe resta mais nenhuma expectativa de vida. Jesus ao dizer esta pequena frase, já sabia claramente o que iria fazer na vida daquela mulher. Ele toca no esquife, que estava inerte no caixão de madeira. Conforme a lei cerimonial judaica, se alguém tocasse num cadáver ficaria imundo por 7 dias, sendo necessário se purificar. Caso contrário, esta pessoa continuaria imunda e seria extirpada de Israel.
Conclusão
Jesus está a caminho, e de acordo com a mensagem evangélica sobre a viúva de Naim, Jesus vinha de Cafarnaum e naquela época não existia automóveis e meios de transporte, como atualmente. Se existisse, Ele teria feito o trajeto até a cidade de Naim em torno de 45 minutos. Mas como Ele andava a pé e ainda tinha uma multidão que O acompanhava, além de Seus discípulos, sua viagem durou em torno de dez horas, segundo alguns cálculos. Ele simplesmente percorreu todo o trajeto, para realizar em Naim o Seu primeiro grande milagre da ressurreição, e por um fim, cessar o sofrimento de uma pobre mãe, conhecida como a Viúva de Naim.
Jesus estava chegando, estava na entrada da cidade, quando se deparou com o cortejo fúnebre. Eles estavam saindo da cidade, pois o cemitério era do lado de fora. Então, Jesus chegou na hora certa, para ressuscitar o rapaz e dar alívio ao coração de uma mãe sofredora. Se o Filho de Deus tivesse chegado após o sepultamento, teria sido maior ainda a angústia da viúva, pela ausência do filho.
Apelo
Jesus pode mudar a história de qualquer pessoa. É assim que Jesus faz na vida de cada um, ainda que alguém pode achar impossível. Ele é, em todos os tempos, a Única Esperança. Ainda que tudo venha dar errado na vida do ser humano, não restando mais alternativas e que venha a ficar sem direção. A Bíblia diz “entrega o teu caminho ao Senhor, confie nEle e tudo Ele fará.”
É hora de entregar a Jesus todos os problemas, e também todos os sonhos para uma vida melhor. Muitos acham difícil, e muito complicado, mas basta confiar em Jesus, pois é o único que pode mudar o rumo e a história de cada um que vive nesta Terra. Ele muda o percurso de cada vida, Ele faz o impossível acontecer!…
Assim como Ele fez com a viúva de Naim, que já estava indo enterrar o seu único filho, pois a cova já estava aberta e preparada. Jesus foi ao encontro dela, e devolveu a vida ao filho que estava morto. Conversar com Ele através da oração, é importante nos momentos de desespero, e certamente, Jesus tem a solução para todo e qualquer problema. As mãos do Mestre Jesus não estão encolhidas para que não possa salvar, e nem seus ouvidos tapados para que não possa ouvir a súplica de cada alma, pela oração a Ele dirigida com fé.
BIBLIOGRAFIA
BÍBLIA. Bíblia de Jerusalém., p. 1786-1934.
Lucas 7 em diversas versões da Bíblia Cristã.
MONASTÉRIO, R. A.; CARMONA, A. R. Evangelhos Sinóticos e Atos dos Apóstolos., p. 273. Além disso, devemos levar em conta que alguns textos do Evangelho de João podem ser de autoria de Lucas., cf. item 2.2.9.
KARRIS, R. J. O Evangelho segundo Lucas., p. 218. Concorda com esta tese também M. A. LÓPEZ (O Evangelho de Lucas., p. 10-11). 97 BIBLIA.
SCHÜSSLER FIORENZA, Elisabeth. As origens cristãs a partir da mulher: uma nova hermenêutica. Tradução de João Rezende Costa. São Paulo: Paulinas, 1992.
WENGST, Klaus. Pax Romana: pretensão e realidade: experiências e percepções da paz em Jesus e no cristianismo primitivo. Tradução de Antônio M. da Torre. São Paulo: Paulinas, 1991.








