PREFÁCIO
MAQUIAVEL E A ARTE POLITICA
Quanto mais próximo o homem estiver de um desejo, mais o deseja; e se não consegue realizá-lo, maior dor sente. Nunca foi sensata a decisão de causar desespero nos homens, pois quem não espera o bem não teme o mal. Os homens esquecem mais rapidamente a morte do pai do que a perda do patrimônio.
Nicolau Maquiavel é considerado o pai do pensamento político moderno. Defensor dos ideais republicanos, sua teoria estava pautada nos princípios morais e éticos para a Política. Foi o primeiro a separar a Política da Ética, com o intuito de estudar a cultura política como ela é realmente e não como ela deveria ser.
O adjetivo “Maquiavélico“, é inspirado no nome “Maquiavel” e, na maioria das vezes, está associado à maldade. Mas não era a “malandragem” a ideia central da Obra O Principe, do pensador italiano.
Atualmente, o mais aceito é que as reflexões de Maquiavel formaram as bases do pensamento realista da ciência política moderna, e a imoralidade atribuída a elas na verdade provém de uma interpretação descontextualizada. Mesmo assim, o termo “maquiavélico” se tornou um adjetivo usado para qualificar pessoas sem escrúpulos, traiçoeiras e sem respeito pelas leis morais.
O LEGADODE MAQUIAVEL
Nicolau Maquiavel foi um pensador florentino que viveu de 1469 a 1527, e morreu com apenas 58 anos de idade. Na qualidade de filósofo, não elaborou uma teoria política ou uma reflexão profunda sobre a essência do poder, como se poderia esperar em sentido clássico. No entanto, suas reflexões são originais e baseadas em uma riqueza de eventos históricos. Diante de fatos que vivenciou em sua época, e ainda com base em circunstâncias especiais, deixou ele um importante legado para as gerações futuras.

Letter from Niccolò Machiavelli to Luigi Guiccardini for his brother Francesco Guiccardini. NM: Niccolò di Bernardo dei Machiavelli, Italian historian, diplomat and philosopher, 3 May 1469 21 June 1527. (Photo by Culture Club/Getty Images) *** Local Caption ***
A obra mais conhecida de Nicolau Maquiavel é certamente O Príncipe, que começa a ser escrito em meados de 1512. Nele as ideias são expostas de forma clara, e seu pensamento político entende a política como um fim em si mesma. A avaliação das ações de um governante toma por base os fatos que se apresentam e não valorações de qualquer âmbito. Suas ideias continuam sendo alvo de inúmeras reflexões e formaram a base do pensamento realista em ciência política.
Aqui se pretende, em tópicos, elaborar um resumo da obra “O Príncipe”, com o pensamento de Nicolau Maquiavel, cujo conteúdo servirá para orientar os novos gestores, a quem ele chamava de Príncipes. Dirigia-se ele aos contemporâneos com ousadia, mostrando os perigos do poder e como administrar bem os principados e todos os subalternos.
FLORENÇA – ITALIA
Florença, capital da região Toscana, na Itália, abriga muitas obras de arte e arquitetura renascentistas. É uma das cidades mais belas do mundo e tornou-se célebre por ser a cidade natal de Dante Alighieri, autor da Divina Comédia, que é um marco da literatura universal e de onde a língua italiana moderna tem várias influências. Florentino ilustre também, é Nicolau Maquiavel, tendo desenvolvido a sua arte e literatura, a partir desta cidade histórica, cuja área metropolitana tem mais de 1 milhão de habitantes. No tempo de Maquiavel, Florença tinha uma população estimada em 120 mil pessoas.
IGREJA DE SANTA CRUZ
A Basílica de Santa Cruz é a principal igreja franciscana em Florença, na Itália, e uma das principais basílicas da Igreja Católica no mundo. É o lugar onde estão enterrados alguns dos mais ilustres italianos, tais como Michelângelo, Galileo Galilei, Maquiavel e Rossini, e assim é apelidada de Panteão das Glórias Italianas. A lenda diz que a igreja foi fundada pelo próprio São Francisco de Assis. A atual igreja foi iniciada em 1294, e foi bancada por algumas das famílias mais ricas da cidade. A vasta estrutura é a maior igreja franciscana do mundo.
O PENSAMENTO DE MAQUIAVEL EM TOPICOS
I – NICOLAU MAQUIAVEL
Nicolau Maquiavel em O Príncipe, demonstra como um governante deve agir – seja com o exército, com os seus ministros ou com o povo – para manter o poder e a ordem do Estado, mesmo que para isso se comporte de modo cruel ou imoral.
O filósofo começa, afirmando: “… para conhecer bem a natureza de um povo é preciso ser príncipe, e para conhecer bem a natureza de um príncipe é preciso pertencer ao povo.”
II – FALANDO DE PRINCIPADO
Os chamados Principados são hereditários, caso em que o sangue de um senhor reina ao longo do tempo, ou novos. A dificuldade para manter um Estado hereditário é menor do que os Estados novos.
Daí, a afirmação filosófica: “… se um príncipe for dotado de inteligência apenas mediana, conseguirá se manter no poder, a não ser que uma força extraordinária e excessiva o prive dele; e, uma vez privado dele, ao primeiro passo falso do usurpador, o reconquistará.”
III – O DOMÍNIO
Na antiguidade e na continuidade do domínio, perdem-se a lembrança e a motivação para a mudança, como ocorreu com o papa Júlio, em 1510.
Completa o mentor florentino: “…porque uma mudança sempre abre caminho para outras mudanças.”
IV – ESTADO MISTO
No principado novo reside a dificuldade para governar. O novo aqui pode ser considerado de Estado misto, visto que as dificuldades surgem de maneira natural.
Filosofando, com acerto: “… os homens trocam de senhor com prazer, porque acreditam que assim melhorarão de situação, e essa crença os faz pegar em armas contra o antigo senhor; mais tarde, eles vão perceber que a situação ficou ainda pior.”
V – A COMPARAÇÃO
Num comparativo entre um senhor e outro, entre lideranças diferentes, O exemplo clássico foi o rei da França, Luís XII, que perdeu Milão tão rapidamente quanto havia ganho em batalha travada.
Surge o paralelo maquiavélico: “… porque foi o próprio povo, ao descobrir ter sido enganado quanto às suas expectativas e esperanças, e não mais suportando os desmandos do mandatário, abriu as portas da cidade.”
VI – OS COSTUMES
Mantendo-se as suas condições antigas e não havendo grandes diferenças de costumes, os homens viverão em paz.
O complemento: “Aqueles que queiram conquistar lugares assim e mantê-los sob o seu domínio deverão respeitar duas regras: a primeira é extinguir a linhagem do príncipe anterior; a segunda é não alterar as leis nem os tributos; assim, em pouco tempo o principado conquistado formará um único corpo com o principado conquistador.”
VII – CONTANDO COM A SORTE
Quando se conquistam Estados em regiões de língua, costumes e leis diferentes, surgem dificuldades, e necessário será muita sorte para mantê-los.
Neste caso, vem a afirmativa: “… uma das melhores medidas, e mais eficazes, é que os conquistadores passem a habitar a região, cidade ou Estado conquistado.”
VIII – FIDELIDADE DAS COLÔNIAS
As colônias não são dispendiosas e demonstram muita fidelidade e pouca perturbação ao príncipe gestor.
Então, ele diz: “Os que perturbam, ficam pobres e dispersos e não oferecem perigo algum; homens devem ser agradados ou destruídos, porque se podem vingar-se das ofensas leves, não o podem das graves.”
IX – AS ARMAS
Quando se tem guarnições militares no lugar das colônias, os gastos são muito maiores e acabam sendo consumidas nas armas todas as receitas do Estado, tornando-se a conquista uma perda.
O homem de Florença declara: “Portanto, a ofensa que se faz a um homem deve ser de modo que não se tema a vingança.”
X – REPÚBLICA ROMANA
Os romanos, ao temer as perturbações, sempre puderam remediá-las, jamais permitindo que elas crescessem.
Exclama, então, o filósofo político: “… o conselho está na boca de todos os sábios contemporâneos, qual seja, de deixar o tempo resolver as coisas; porque o tempo leva adiante todas as coisas, e pode fazer o bem suceder ao mal, assim como o mal suceder ao bem.”
XI – DIALÉTICA SUPERIOR
O desejo de conquistas, é bom que se diga, é coisa muito natural e comum; e sempre que o manifestem aqueles que podem, serão louvados, ou não censurados.
Ninguém melhor que Maquiavel para expressar, e ele o faz com veemência: “Quando o gestor – o príncipe – não pode, e mesmo assim insiste em levar adiante ideias inaceitáveis, comete erro e passa a merecer censura.
XII – SUPREMACIA DE FLORENÇA
Em lutas e guerrilhas, entre a França e cidades da Itália, muitos erros foram cometidos, que poderiam ser evitados pelos príncipes governantes da época.
Enfim, a sugestão do pensador italiano, é clara: “… jamais se deve deixar que uma agitação se propague, para evitar uma Guerra; porque a Guerra não pode ser evitada, apenas adiada, com algumas desvantagens.”
XIII – ARTE DA GUERRA
O filho do papa Alexandre, César Bórgia, que era conhecido popularmente como Valentino, ocupava a Romanha, enquanto o cardeal dizia que os italianos não entendiam de Guerra e os franceses não entendiam de Estado. Este permitiu que a Igreja adquirisse muito poder politico.
Na correlação com as ideias, Maquiavel sugere: “Uma regra que nunca falha: quem coopera para tornar o outro poderoso, acaba por arruinar-se; porque para tanto, valeu-se de estratégia ou de força, e essas duas qualidades tornam-se suspeitas aos olhos daquele que se tornou poderoso.”
XIV – VIDA PROVINCIANA
O vencedor, assim como antes da vitória nada esperava do povo, depois da vitória nada tem a temer em relação ao povo. Não se preocupa mais com o seu exército; a única preocupação agora é com a sua linhagem, no sentido estrito do nepotismo.
Assim, mais uma vez, a ideia maquiavélica: “… porque sempre haverá aqueles que estejam descontentes e que busquem novidades. Depois disso, sobrevirão infinitas dificuldades, tanto da parte dos que colaboraram quanto daqueles que foram derrotados.”
XV – LINGUAGEM FIGURADA
Na verdade, não existe meio certo para manter o domínio sobre algum tipo de cidade, senão destruindo-a.
Após esta premissa, ele informa: “Aquele que se tornar senhor de uma cidade acostumada à liberdade e não a destruir em pouco tempo, será destruído por ela; porque rebeliões sempre são feitas em nome da Liberdade e dos antigos costumes, que jamais são esquecidos.”
XVI – ARTE DE GOVERNAR
Por maiores que sejam as ações e as precauções tomadas, se não forem criadas divisões e separações entre os habitantes da cidade, eles jamais esquecerão a antiga Liberdade e os antigos costumes.
Aí, de pronto, vem a explicação do florentino: “Quando uma cidade ou uma província está habituada a viver sob o mando de um príncipe e a linhagem desse príncipe e extinta, fica incapaz de produzir, no seu interior, um novo príncipe, e assim, não consegue mais vive rem Liberdade; vai demorar para pegar as armas e, com facilidade, outro príncipe virá a conquistá-la.”
XVII – EXÍLIO SEM COMPAIXÃO
A memória da antiga Liberdade não deixa o príncipe viver em paz, nem permite que ela se aquiete, de tal modo que a maneira mais segura para dominar a cidade é arrasá-la ou habitá-la.
Sem pestanejar, o pensador das causas públicas, adverte: “Nas repúblicas sempre há mais vida, mais ódio e mais sede de vingança; então, o príncipe precisa adotar meios para o domínio da maioria.”
XVIII – PROFUNDIDADE E AÇÃO
Ninguém pode se escandalizar ao tratar de principados, para os quais determinado príncipe e tipo de Estado constituem novidade, ou recorra a exemplos extensos.
Por extensão, o relator de Florença expõe com clareza o seu ponto de vista: “… os homens percorrem sempre caminhos abertos por outros homens, e as suas ações são muitas vezes imitações, ainda que não seja possível seguir inteiramente o caminho de alguém, nem igualar-se em virtude àquele que se imita.”
XIX – REALIDADE E PATRIOTISMO
Alguns, por virtude, e não por sorte, tornaram-se príncipes, como Moisés, Ciro, Rômulo, Teseu e ainda outros semelhantes a eles.
O nosso interlocutor, mais conhecido como o Filósofo Florentino, não mede palavras, ao afirmar: “Não há o que questionar a respeito das ações de Moisés, que foi um legislador digno de falar com Deus. Foi ele um mero executor da vontade divina.”
XX – EXPERIÊNCIA DO PASSADO
Moisés no deserto fez valer a vontade do Criador, guiando o povo de Israel, com a possibilidade de chegar à Terra Prometida, a Canaã tão almejada por esta Nação abençoada.
Daí, a palavra eloquente de Nicolau Maquiavel, quando diz que: “Era necessário que Moisés encontrasse o povo de Israel no Egito, subjugado e oprimido pelos egípcios, para que este se dispusesse a segui-lo, a fim de livrá-lo do cativeiro.”
XXI – DISCURSOS ELOQUENTES
A timidez de muitas pessoas nasce, em parte, do temor de seus adversários, que têm as leis do seu lado, em parte da falta de confiança dos homens, que não creem de verdade nas coisas novas, se não as veem passar por uma firme experiência.
Forjado na confiança política de seu tempo, Maquiavel informa: “Todas as vezes em que os inimigos têm a oportunidade de atacar, atacam com entusiasmo, enquanto os aliados defendem com timidez; de modo que na sua companhia, o príncipe encontra-se instável.”
XXII – DIPLOMACIA EM ALTA
Há casos, quando as forças políticas acabam sempre mal, não chegando a lugar nenhum. Quando dependem apenas de si mesmos e lhes basta a própria força, podem estar em perigo.
Filosofando, como é o seu jeito peculiar, o pensador diz: “… todos os profetas armados venceram, e os desarmados arruinaram-se. A razão para tanto é que a natureza de um povo é diversa: é fácil persuadí-lo de algo, mas e difícil mantê-lo persuadido disso.”
XXIII – ATIVIDADE PLENA
Ierone Siracusano. Este, antes homem comum, tornou-se príncipe de Siracusa. Ele não obteve da sorte nada mais que a ocasião: estando oprimidos os siracusanos, o elegeram capitão, e daí lhe vieram os méritos para ser feito governante, um príncipe. Foi ele de tal modo virtuoso, mesmo quando homem comum, que alguém escreveu sobre suas qualidades, afirmando que “nada lhe faltava para reinar, senão um reino. Desfez as amizades antigas e criou novas, constituiu um novo exército, com soldados próprios.
Diante da premissa de liderança nova, o príncipe precisa criar rmeios para reinar. Sobre isso, declara Maquiavel: “Todos os homens imbuídos de poder enfrentam grandes obstáculos para prosseguir em seus caminhos, e apenas por meio da virtude os superam. Após superadas as dificuldades, começam a ser venerados e tendo derrotados os invejosos, tornam-se poderosos.”
XXIV – IMPÉRIOS FORTES
Como aconteceu diversas vezes na Grécia, nas cidades da Jônia e do Helesponto, onde Dario fez príncipes para que zelassem por sua segurança e por sua glória; e também como aconteceu com aqueles homens comuns que se tornaram imperadores, corrompendo o exército. Esses homens mantêm-se no poder unicamente por vontade e disposição de quem lhes concedeu esse poder.
Enfim, o filósofo adianta o seu parecer sobre o poder, assim: “Quem, apenas por um golpe de sorte, passam de homens comuns a príncipes, chegando a tal posição com pouco esforço, mas se mantêm nela com muito esforço, não encontram dificuldade no caminho por onde cruzam. As dificuldades começam quando já estão estabelecidos.”
XXV – POLÍTICA DE FLORENÇA
Os Estados que surgem subitamente, como todas as coisas da natureza que nascem e crescem rapidamente, não puderam criar raízes e crescer de forma proporcional, de modo que o primeiro incidente adverso os derruba; no entanto, aqueles que, de um momento para o outro se tornaram príncipes, não fizeram por merecer o Estado que lhes caiu no colo.
Maquiavel, com a experiência de poder em mão, acaba fornecendo alguns subsídios valiosos para os que têm ambição política. Eis aqui uma de suas máximas: “Como tantos príncipes experientes, com os quais pude conviver a partir de Florença, devo lembrar Francisco Sforza e o Duque Valentino; a estes, os novos príncipes devem imitar, para errar menos enquanto governam as cidades.”
XXVI – FAMÍLIA NOBRE
César Bórgia, mais tarde papa Júlio II, filho de Alexandre VI, o papa que morreu cinco anos depois do começo de sua campanha, deixando apenas consolidado o Estado da Romanha. Júlio II, pensando em tudo o que poderia acontecer com a morte de seu pai, havia encontrado uma solução, menos para o fato de que, ele também estava perto da morte, por ocasião da perda de seu pai, o papa Alexandre.
Com vista a isto, o pensador ilustre, lembra com maestria os tempos da antiga Itália e sua história política: “Engana-se quem acredita que, nas relações entre grandes homens, os benefícios novos fazem esquecer as injúrias velhas. César Bórgia enganou-se na escolha que fez, sendo ela a razão única de sua ruína.”
XXVII – REPÚBLIA E MONARQUIA
O carma pessoal ou coletivo sempre esteve presente na história da humanidade, principalmente no reinado de governos tiranos. Assim, é aconselhável que o príncipe viva bem com os seus súditos, sem mudar de conduta; podem vir tempos adversos e ele se vendo em situação precária, não lhe restará tempo para fazer o mal, e o bem que fizer nada lhe renderá.
Desta maneira, Maquiavel avaliando bem as circunstâncias de sua época, declara: “Os que seguem a primeira conduta, com o auxílio de Deus e dos homens, podem solucionar todos os problemas de seus governos, como aconteceu a tantos outros governantes da história.”
XXVIII – FILOSOFIA POLÍTICA
Quando um homem comum, não por meio de crimes ou outras formas inomináveis de violência, e sim por prestígio junto aos concidadãos, torna-se príncipe de sua pátria, podendo ser chamada de Principado Civil.
Com reflexão profunda, com um raciocínio lógico que possuía, o filósofo diz: “Em todas as cidades há uma divisão entre as duas tendências, cuja origem está no fato de que o povo não quer nem ser comandado nem oprimido pelos poderosos; os poderosos sempre querem comandar e oprimir o povo; daí, as consequências: principado, Liberdade ou desordem.”
XXIX – A CONSPIRAÇÃO
O pior que um príncipe inimigo do povo pode esperar é ser abandonado por ele; já um príncipe inimigo dos poderosos deve temer não apenas ser abandonado, mas também que esses poderosos se voltem contra ele.
Assim declara Maquiavel, após experienciar fatos notórios entre os poderosos: “Quem chega ao principado por meio dos poderosos, mantêm-se no poder com muita dificuldade; diferente daquele que conquista o poder com a ajuda do povo.; porque encontram ao seu redor muitos que pensam ser seus iguais.”
XXX – HISTÓRIA DE FLORENÇA
Cidadãos e súditos, acostumados a viver debaixo de magistratura ou de regime ditatorial, não terão ninguém em quem confiar. O príncipe nunca tomará como verdade aquilo que vê nos tempos de paz.
Destarte, o pensador de Florença, transmite o que sente sobre a situação em seu tempo. Assim: “O príncipe que tiver sua base no povo e que também souber governar, que for um homem de coragem, que não se apequene diante das adversidades, a quem não falte prepare e cujo ânimo e vigor animem a todos.”
XXXI – RELIGIÃO E ECONOMIA
Ao examinar as qualidades de um Principado, convém fazer uma distinção: se um príncipe tem poder suficiente para, havendo necessidade, governar sozinho, ou se depender constantemente do apoio de outros. Isto só é possível, se o príncipe gestor contar com abundância de homens ou de dinheiro, mantendo um exército próprio.
É possível, segundo o pensador, mas ele sugere ainda: “Não há mais o que acrescentar, exceto aconselhar os príncipes governantes a fortificar e a abastecer os seus domínios, sem jamais se preocupar com o que está além das muralhas.”
XXXII – A OBEDIÊNCIA
As cidades, mesmo aquelas que têm mais Liberdade, possuindo pouco território, precisam obedecer o seu mandatário, sem qualquer medo dele e nem de qualquer potentado que tenha perto de si. Cada príncipe deve construir a sua própria Fortaleza.
Num amplo entendimento, o florentino faz questão de alertar, com as palavras: “Cuidadoso deve ser o príncipe, visto que os homens , naturalmente, evitam empreitadas em que enxergam dificuldades; não há facilidade alguma em atacar um príncipe que tenha o seu Estado fortificado e não seja odiado pelo seu povo.”
XXXIII – OSTRACISMO INDESEJADO
Tudo no mundo é tão variado que seria quase impossível que alguém pudesse manter por um ano, um exército ocioso, num cerco. E, se de repente, o povo perder a paciência, ao ser prejudicado por uma gestão ruim, esquecerá o príncipe com as suas mazelas.
Ideias de conspiração sempre estiveram presentes, razão que leva Maquiavel a comentar: “Um príncipe que tenha uma cidade forte e que não seja odiado pelos súditos, nunca será atacado; e, se houvesse quem o atacasse, teria de recuar envergonhado.”
XXXIV – REAÇÃO NECESSÁRIA
Quando o moral estiver em baixa, os danos começam a ser feitos, os males já começam a ser sofridos e não haverá mais remédio. É hora de reação do príncipe diante de ameaças.
Com intrepidez, surge o pensamento de Maquiavel, para elucidar a situação: “Afinal, é da natureza do homem sentir-se obrigado, tanto pelos benefícios que faz quanto pelos que recebe. Então, não será difícil para um príncipe prudente, manter firmes os ânimos de seus cidadãos, antes e depois de um cerco.”
XXXV – UNIFICAÇÃO DA ITÁLIA
Antes que Carlos, rei da França entrasse na Itália, esta província estava sob o domínio do papa, dos venezianos, do reino de Nápoles, do duque de Milão e dos florentinos. Estava tudo dividido.
O pensador florentino, com toda a experiência, lá estava e contribui com uma ideia brilhante: “Por razões superiores, a mente humana não conseguia vislumbra a situação embaraçosa destes dias, mas alguns estavam mantidos e engrandecidos por Deus. Assim o potentado pôde ser mantido, transformando-se na pujante Itália.”
XXXVI – UNIÃO PELA PÁTRIA
Nos tempos de Guerra na Itália e terras circunvizinhas, era preciso que todos se unissem nas batalhas, como por ocasião da defesa de Ferrara. Para controlar o papa, todos eles se serviam dos barões de Roma, que pertenciam às duas potências: os Orsini e os Colonnesi.. Havia sempre disputas entre eles, com armas às mãos e o papa ao alcance dos olhos.
No ínterim, o defensor de ideias otimistas, defendia uma tese: “Os papas tinham poder politico, principalmente Alexandre VI, promovendo as famosas batalhas, mesmo com um papado frágil, e ele muito abatido pelas doenças alojadas em seu corpo.”
XXXVII – A VEZ DO PAPA
Surgiu, não por acaso, o papa Alexandre VI, que era pai de César Bórgia, que também exerceu o poder temporal na política, na qualidade de Príncipe. Era o começo de uma igreja forte, reinando com absoluto poder entre as províncias. Os atos dele contribuíram muito para a grandeza da Igreja de Roma.
Diante das perplexidades da época, e ostentando muito conhecimento de artes políticas, Nicolau Maquiavel comparece com a ideia: “Após a morte de Alexandre VI, a igreja foi a herdeira de seu legado, tendo o filho Júlio II estabelecido as condições para que a igreja se enriquecesse, como jamais havia antes acontecido.”
XXXVIII – AMPLIAÇÃO DO PODER
Assim, as medidas tiveram continuidade e ainda as ampliou no Principado, no sentido de beneficiar a igreja. Desta maneira, anos depois, o papa Leão, encontrou o pontificado poderosíssimo, tendo os seus antepassados, com as armas, contribuído para esse fim.
Um relato fidedigno de Maquiavel, contribui para que as novas gerações conheçam as lutas da época, e como eram travadas. Ele diz: “Os cardeais, com as facções tranquilas, as alimentam em Roma e fora dela, fortalecendo os ideais políticos e religiosos do sumo pontífice.”
XXXIX – GUERRA E PAZ
Os exércitos querem servir ao príncipe quando não existe guerra. Porém, tão logo a guerra sobrevenha, eles desaparecem. A ruina da Itália não foi causada por outro motivo, senão pelo simples fato de ela ter dependido, durante muitos anos, de exércitos mercenários.
Com tantas lutas e devaneios políticos, o pensador, convicto, não mede palavras para expressar o seu sentimento de estadista: “Os exércitos, de uma maneira ou de outra, serviram bem a alguns, parecendo corajosos; mas ao se depararem com um exército estrangeiro, mostravam o que realmente eram.”
XL – DECISÃO E COMANDO
O príncipe deve comandar em pessoa, cumprindo ele próprio o ofício de capitão; a república deve mandar seus cidadãos – se enviar um que se mostre pouco valente, este deve ser substituído. Se for um que se mister demasiadamente valente, este deve ser submetido às leis., para jamais ultrapassar os limites do seu posto.
O entusiasta filósofo, com a missão de bem informar e com as habilidades que possuía, disse: “Uma república com exército próprio se submeterá com mais dificuldade do que uma república que conta com exércitos externos.”
XLI – EXPANSÃO DE IMPÉRIOS
Conhecendo-se o modo como, nesses últimos tempos, com a expansão de impérios e muito poder politico na esfera papal, a Itália se dividiu num maior números de Estados, porque muitas cidades maiores, pegaram as armas contra os seus nobres, os quais eram antes protegidos pelo imperador.
Extraordinário é Maquiavel em suas predicas, em seu tempo. Com reflexos ainda nos dias atuais, se sobressai este pensamento: “Um príncipe sábio sempre evita alguns tipos de exército, e procura organizar suas próprias forças armadas, preferindo perder com estas do que vencer com aquelas.”
XLII – ALEGORIA NA BÍBLIA
Existe uma alegoria no Velho Testamento das Sagradas Escrituras, quando Davi se ofereceu a Saul para enfrentar o gigante Golias, um filisteu temido. Saul deu as suas próprias armas ao pequeno Davi, encorajando-o para ir à luta feroz. Foi ai que, numa demonstração de fé e coragem, o future rei de Israel partiu, com a sua funda e uma machadinha, para vencer ou vencer.
Tamanha capacidade intuitiva do mestre florentino, quando aborda com propriedade os fatos, que prefere resumir num pensamento. Ei-lo: “Os exércitos alheios, ou apunhalam pelas costas ou pesam sobre s ombros, ou amarram os pés daquele que os convoca.”
XLIII – AÇÕES CORAJOSAS
Nada será mais frágil e movediço do que uma fama de poder fundada sobre a força de outros. Será fácil encontrar o melhor modo de organizar um exército próprio, examinando as decisões tomadas pelos exemplos oferecidos, pensando nas ações corajosas de Felipe, pai de Alexandre, o Grande, cujas proezas a história registra com todos os detalhes.
Vivendo a política em sua plenitude, e acompanhando as nuances detalhadamente, o sábio Maquiavel, resume assim: “Pelo que foi dito, um príncipe não pode ter outro objetivo nem outro pensamento nem se dedicar a qualquer outra arte, que não seja a guerra, com organização e disciplina; ela é a única atividade que se espera de quem está no comando.”
XLIV – HOMENS COMUNS
Tamanha é a virtude da Guerra que ela não apenas mantém no poder aqueles que nasceram príncipes, como por vezes permite que homens comuns se tornem príncipes; no sentido contrário, vê-se que quando os príncipes pensam mais em delicadezas do que em armas, eles perdem os seus Estados.
Enfaticamente, a palavra decisiva de Maquiavel encoraja as pessoas destinadas a uma missão de Estado, como gestoras da coisa pública, quando ele afirma: “O principal motivo que leva alguém a perder o Estado é negligenciar a arte da guerra, abandonando as armas.”
XLV – MENTE POSITIVA
O príncipe jamais deve desviar o seu pensamento do exercício da guerra, e nos tempos de paz deve dedicar-se ainda mais a ele do que durante a guerra, devendo faze-lo com ação e com a mente.
Ora, afoito ora mais ponderado, o filósofo de Florença está sempre pronto para a orientação aos príncipes, de geração a geração. Ele enfatiza: “Para conhecer bem a natureza do território, é necessário onde se localizam as montanhas, os desembocam os vales, por onde se estendem as planícies, qual o curso dos rios e o contorno dos pântanos; prestando em tudo isso grande atenção.”
XLVI – RETIRADA ESTRATÉGICA
Se quiséssemos em retirada, como o faríamos? E se eles quisessem se retirar, como faríamos para persegui-los? Então, lhes propunha, enquanto caminhava, todos os cenários com os quais um exército poderia se deparar; escutava a opinião de todos, dava a sua e a justificava com argumentos – de modo que, como resultado dessas contínuas cogitações, quando estivesse conduzindo os seus exércitos., jamais poderia surgir uma situação para a qual não tivesse uma solução.
O grande pensador Maquiavel arrisca, em sua capacidade criadora e inteligível, mostrar de forma resumida, num pensamento. Leiamos: “Quanto ao exército da mente, deve o príncipe ler os livros de historia e observar, neles, as ações dos grandes homens, vendo como eles procederam nas guerras e examinando as causas de suas vitórias e derrotas.”
XLVII – IMITANDO OU TROS LÍDERES
Alguns dos grandes homens imitavam aqueles que, antes deles, foram louvados e glorificados, reproduzindo eles mesmos os seus gestos e ações. Diz-se, por exemplo que, Alexandre, o Grande, imitava Aquiles; César imitava Alexandre; Cipião imitava Ciro. Quem ler a vida de Ciro escrita por Xenofonte, reconhecerá depois, na vida de Cipião, o quanto o exemplo daquele trouxe de glória a este, e o quanto a castidade, a afabilidade, a humanidade e a liberalidade.
Sem titubear e com a maior franqueza, o expoente da filosofia política, diz: “Um príncipe sábio deve observar hábitos semelhantes e não permanecer ocioso nos tempos de paz; ao contrario, deve fazê-los render , engenhosamente, para valer-se deles nos tempos de adversidade, de modo que, quando sua sorte mudar, o encontre preparado para resistir a ela.”
XLVIII – A MODERNIDADE POLÍTICA
Muitos já escreveram sobre o assunto, por isso nunca se deve duvidar que algo escrito hoje pode ser considerado presunçoso. Com certeza, há quem irá questionar negativamente os tratados modernos de política, mas é sempre oportuno falar e escrever sobre o polêmico assunto, que está presente em todo o mundo civilizado. No entanto, o que se escreve na atualidade, tem que ser útil aos interessados de todos os matizes, no contexto de modernidade.
Além da imaginação de celebres estudiosos de ciência política, o italiano Maquiavel, vivendo numa época conturbada, adverte: “Há tamanha distância entre o modo como se vive e o modo como se deveria viver que aquele que deixa aquilo que se faz por aquilo que se deveria fazer, favorece antes a própria ruína do que a preservação; pois um homem que queira ser bom em todas as situações, acabará arruinado em meio a tantos homens que são bons.”
XLIX – POSIÇÃO DESTACADA
Deixando atrás tudo o que se refere a príncipes imaginários e tratando de príncipes que de fato existem, necessário é dizer que “em todos os homens em posição de destaque” – sobretudo nos príncipes, que ocupam a mais alta de todas -, são notadas certas qualidades, as quais fazem com que eles sejam censurados ou louvados.
Agora, no paralelo, notemos o que diz o filósofo, em linhas gerais, quando elabora o mais puro pensamento da ação política do príncipe. Escreve ele: “Por isso que um é considerado pródigo, e outro, miserável; porque ávaro é aquele que não quer pagar para possuir algo, enquanto miserável é aquele que, frequentemente, não quer usar algo que já possui. Um é generoso, outro é mesquinho; um é cruel, outro é piedoso; um é leal, outro é traiçoeiro; um é dócil e covarde, outro é viril é corajoso; um é humilde, outro é soberbo; um é lascivo, outro é casto; um é íntegro, outro é aproveitador; um é rígido, outro é flexível; um é grave, outro é leviano; um é religioso, outro é incrédulo; e assim por diante.”
L – EVITAR A INFÂMIA
A condição humana não admite certas coisas. É preciso que haja prudência o suficiente para saber evitar a infâmia, aquilo que lhe poderia fazer perder o poder e, se possível também, de todas as coisas que não chegaria a tanto, em sua vida pública.
Nem é preciso tanto esforço mental para entender o propósito que norteava o imaginário de Nicolau Maquiavel, quando ele afirmava: “O príncipe que governa, não deve se preocupar, caso incorra na infâmia de vícios, sem os quais dificilmente poderia preservar-se no poder; porque tudo bem considerado, assim como há coisas que parecem virtudes, mas que se forem seguidas o conduzirão à ruina. Há outras que parecem vícios, mas se forem seguidas o conduzirão à segurança e ao bem-estar.”
LI – A LIBERALIDADE NA POLÍTICA
É bom que o príncipe seja considerado um liberal. Por outro lado, é prejudicial para ele que essa liberalidade se consolide como uma opinião geral. Quando ele manifesta a virtude da liberalidade de maneira equilibrada e adequada, não provoca alarde, não permitindo assim que pensem dele o contrário.
O espírito liberal é coisa boa, segundo entendia o pensador político. Mas, movido pelas questões mais locais, ele entende este assunto de forma criteriosa. Eis o que ele diz: “É preciso que o príncipe ostente o maior luxo possível, agindo como um verdadeiro liberal; contudo, procedendo de tal modo, ele esgotará os seus recursos, e terá, ao fim, que sobrecarregar o povo com tributos e valer-se de todos os meios para conseguir dinheiro, se quiser manter sua fama de governo liberal.”
LII – REI DA FRANÇA
O papa Júlio II, que se servia da fama de liberal para ascender ao papado, não se preocupou depois em mantê-la, porque queria fazer a guerra. No mesmo tempo, o rei da França fez inúmeras guerras, sem por isso ter de impor impostos extraordinários ao seu povo.
Então, o filósofo, carregado de convicção, não poupou palavras para definir o que pensava sobre a questão liberal. Assim: “Um príncipe deve ponderar pouco para que a sua fama seja antes a de miserável do que a de pródigo, para não ter de roubar seus súditos, para poder se defender, para não se tornar pobre a desprezado, para não ser forçado a se tornar corrupto; porque ser miserável é um daqueles vícios que o permitirão reinar.”
LIII – CONVICÇÃO E PRUDÊNCIA
O príncipe precisa ser prudente em suas convicções e ações, sem ficar apavorado, procedendo de modo temperado, com prudência e humanidade, para que a excessiva confiança não o torne incauto, nem a excessiva confiança o torne intolerável.
Nicolau Maquiavel, mais uma vez, apresenta a tese que muitos ainda hoje, não entenderiam. Leiamos o pensamento: “É muito mais seguro ser temido do que ser amado, quando for necessário renunciar a uma das duas; porque dos homens se pode dizer isso: são ingratos, volúveis, mentirosos e dissimulados, fogem dos perigos, ávidos de lucro. Enquanto o príncipe lhe faz bem, estão com ele – dão o sangue por ele, os bens e a vida dos filhos; tudo enfim, quando a necessidade não se mostra; porém, quando esta surge, eles se revoltam.”
LIV – LEI E FORÇA
Existem, na política, duas formas de se resolver as coisas: com a lei e com a força. O primeiro é próprio dos homens, e o segundo, dos animais. No entanto, como o primeiro nem sempre é suficiente, faz-se necessário recorrer ao segundo. Então, é preciso que o príncipe saiba quando usar sua animalidade, e quando usar sua humanidade.
O argumento filosófico de Maquiavel é contundente, quando ele admite que o príncipe precisa ser maleável, mas também precisa usar o rigor em seu governo. Deste modo, ele afirma: “Todos concordam que o príncipe necessita manter a palavra empenhada, vivendo de maneira honesta e não com astúcias; contudo, nos dias atuais, existem príncipes de grandes feitos, tendo pouca consideração com a palavra dada, sabendo com astúcia confundir a cabeça dos homens.”
LV – A RAPOSA E O LEÃO
Quando um príncipe estiver passando por necessidades, deve saber utilizar bem o seu lado animalesco escolhendo entre a raposa e o leão; porque o leão não sabe se defender de armadilhas e a raposa não sabe se defender dos lobos.
A comparação, muito oportuna, que faz o filósofo entre os dois animais, leva os homens a uma profunda reflexão sobre a política e sua arte. Ele ressude assim: “O príncipe, acima de tudo, precisa ser raposa para desarmar as armadilhas, e ser leão para enfrentar os lobos que estão à sua volta.”
LVI – O PERIGO DOS ADULADORES
Um príncipe deve aconselhar-se sempre, mas quando ele queira e não quando os outros desejem; antes, deve tolher a todos o desejo de aconselhar-lhe alguma coisa sem que ele venha a pedir.
Maquiavel descreve um erro do qual os príncipes não se defendem com facilidade, pela imprudência e pelas más escolhas: “Os aduladores, dos quais as cortes estão repletas, dado que os homens se comprazem tanto nas suas coisas próprias e de tal modo se iludem, que com dificuldade se defendem desta peste e, querendo defender-se, há o perigo de tornar-se menosprezado.”
LVII – A VERDADE
Os homens entendem que não ofendem o príncipe dizendo a verdade; mas, quando todos podem dizer a verdade, passam a faltar com a reverência.
Por ser renascentista, Maquiavel tem o espírito inovador, ou seja, ele quer negar tudo o que veio antes e superar tudo o que era medieval. Com isso, propõe uma ressignificação de conceitos, rejeitando as ideias de Aristóteles, de que a prudência é o melhor caminho, propondo que a coerência está contida na arte de governar. Ele conclui: “A estabilidade do Estado resulta de ações humanas concretas que pretendem evitar a barbárie, mesmo que a realidade seja móvel e a ordem possa ser desfeita.”
LVIII – PEDIR CONSELHOS
O êxito da ação política, com vistas à manutenção do poder, resulta do saber aproveitar a ocasião dada pelas circunstâncias e da capacidade de entender o que o seu tempo exige.
Ao pensar como deve comportar-se um príncipe com seus súditos, Maquiavel questiona as concepções vigentes em sua época, segundo as quais consideravam o bom governo depende das boas qualidades morais dos homens que dirigem as instituições. Para o autor: “um homem que quiser fazer profissão de bondade é natural que se arruíne entre tantos que são maus. Assim, é necessário a um príncipe, para se manter, que aprenda a poder ser mau e que se valha ou deixe de valer-se disso segundo a necessidade.”
LIX – MUDANÇAS SOCIAIS
O cenário, composto basicamente pela Renascença, a ascensão da burguesia e a reforma protestante que defendia, entre outras ideias, a permissão do lucro, causou grandes mudanças sociais e entraram em choque com os valores medievais.
O filósofo italiano Nicolau Maquiavel nunca disse a célebre frase “os fins justificam os meios”, a ele atribuída. Demonizado no passado, a imagem do filósofo-político italiano mudou ao longo do século 20. Ei-lo: “A sociedade pensa que um governante deve ser um modelo de pessoa: gentil, religioso, simpático, entre outras qualidades. Mas defende que na verdade um governante deve ser avarento e cruel, pois assim o povo o respeitará.”
LX – VIDA E MORTE
Parece, certamente, a muitos, ao considerar a vida e a morte de alguns imperadores romanos. Alguns deles viveram de maneira digna, mostrando grande virtude de espírito, embora tenham perdido o império, ou mortos pelos seus, conspirando contra eles.
Maquiavel elucida, com o pensamento: “Os príncipes devem deixar as incumbências da administração a outros, e reservar as de graça e misericórdia para si mesmos. Um príncipe deve estimar os grandes, mas não se fazer odiar pelo povo.
LXI – AMOR E PUNIÇÃO
Os homens hesitam menos em ofender quem se faz amar do que em ofender quem se faz temer; porque o amor é mantido por um vínculo de obrigação que, por serem os homens pérfidos, é rompido por qualquer ocasião em benefício próprio; mas o temor é mantido por um medo de punição que não abandona jamais.
O pensamento mais famoso do pensador Nicolau Maquiavel: “Quanto mais próximo o homem estiver de um desejo, mais o deseja; e se não consegue realizá-lo, maior dor sente. Nunca foi sensata a decisão de causar desespero nos homens, pois quem não espera o bem não teme o mal. Os homens esquecem mais rapidamente a morte do pai do que a perda do patrimônio.”
LXII – ORGANIZACÃO SOCIAL
Entre os reinos mais bem organizados e governados do nosso tempo, está o da França; nele encontram-se numerosas instituições boas, das quais dependem a Liberdade e a segurança do rei.
Atormentado, às vezes, com situações adversas, o filósofo dizia: “Um príncipe nunca deve preocupar-se com as conspirações, quando o povo lhe quiser bem; porém, quando for seu inimigo e lhe tiver ódio, deve temer tudo e todos.
LXIII – TEMOR E RESPEITO
Quem examinar minuciosamente as ações de Severo encontrará nele um ferocíssimo leão e uma astutíssima raposa, e verá que foi temido e revenciado por todos.
Radicado em Florença, no apogeu da vida pública, Maquiavel exclamou: “O príncipe deve evitar fazer injuria grave a qualquer um daqueles que o servem, que ele tem ao redor de si, a serviço do principado.”
LXIV – EGITO E TURQUIA
Alguns principados tinham soldados com mais poder do que o povo, invertendo a ordem das coisas. Os sultões do Egito e da Turquia satisfaziam mais ao povo do que aos soldados, porque o povo tem mais poder que os soldados.
O polêmico homem de letras, de forma determinada, enfatizava: “Os príncipes de nosso tempo não enfrentam alguns problemas, porque alguns deles não têm exércitos que envelheceram junto com os governos.”
LXV – DIREITO HEREDITARIO
Para Pertinax e Alexandre, que eram príncipes novos, foi inútil e danoso quer imitar Marco Aurélio, que ascendeu ao Principado por direito hereditário.
Maquiavel, sem temer a represálias, sempre afirmava: “O ódio e o desprezo foram as razões da ruina dos imperadores, e todos entenderão o porquê uns procediam de um modo e outros de outro modo. Apenas um teve um fim feliz, enquanto os demais um fim infeliz.”
LXVI – BOAS AMIZADES
Jamais aconteceu de um príncipe novo desarmar os seus súditos, quando os encontrou desarmados, sempre os armou; outros mantiveram divididas as terras ocupadas; alguns nutriram inimizades contra eles mesmos; outros dedicaram-se a ganhar amizades daqueles de quem tinham suspeitado, quando subiram ao poder.
O idealista e inovador filósofo, percebendo os encontros e desencontros entre os domínios políticos, afirmava: “Os antepassados costumavam dizer – aqueles que eram tidos na conta de sábios -, que era necessário manter os inimigos mais perto e as discórdias, pois quando o inimigo se aproxima, as cidades dividida tomar o seu partido.”
LXVII – SORTE E REPUTAÇÃO
Os príncipes tornam-se grandes quando superam as dificuldades e as oposições feitas a eles; mas a sorte, sobretudo quando quer tornar grande um príncipe novo, que tem maior necessidade de firmar uma reputação do que um hereditário que faz com que apareçam inimigos no seu caminho.
Observando com a devida atenção os movimentos da época, o florentino esbanja conhecimento, dizendo: “Com ajuda dos exemplos antigos e modernos oferecidos a propósito, será muito mais fácil conquistar a amizade dos homens que estavam satisfeitos com o Estado antigo, seus inimigos, do que, com os que não estavam satisfeitos com o Estado antigo.”
LXVIII – AS FORTALEZAS
Um estrangeiro não poderia prestar auxílio ao povo; mais tarde, aos poucos, viriam a servir as fortalezas, depois que César Bórgia as assaltou e o povo inimigo de sua senhora, uniu-se a ele.
O historiado de Florença, apto em todos os momentos, escreveu aos conterrâneos, assim: “O príncipe que mais medo do povo do que de estrangeiros deve construir fortalezas, mas aquele que tem mais medo de estrangeiros do que do povo, deve esquecê-las.”
LXIX – A FAVOR OU CONTRA
Um príncipe também é estimado quando é um amigo verdadeiro e um inimigo verdadeiro, quando sem preocupação revela-se a favor ou contra alguém. Essa atitude é sempre mais proveitosa do que a da neutralidade.
Maquiavel, em demonstração de sabedoria política e bom senso em suas afirmações quotidianas, disse: “É de bastante valia a um príncipe que seja visto como homem de atitudes raras e exemplares na administração interna do Principado.”
LXX – ANTÍOCOS E ETÓLIOS
Antíoco havia avançado sobre a Grécia, convocado pelos etólios, para expulsar os romanos. Enviou embaixadores aos aqueus, que eram amigos dos romanos, para convencê-los a ficarem neutros. Já os romanos buscavam persuade-los a tomar o seu partido.
O pensador, atento aos acontecimentos, com clareza faz a sua declaração: “Os príncipes irresolutos, para escapar aos perigos imediatos, muitas vezes seguem pelo caminho da neutralidade, e na maioria delas, arruínam-se.”
LXXI – PÃO E CIRCO
Sempre faz bem, em épocas convenientes do ano, manter o povo ocupado com festas e espetáculos. E, como todas as cidades se divide em grupos – conforme os ofícios e as ocupações dos cidadãos -, o príncipe deve dar atenção a estas associações, reunindo-se por vezes com elas e dar exemplo de humanidade, sem jamais comprometer a sua autoridade que em momento algum pode faltar.
Assim como era recomendado aos súditos do Império Romano, assim também a prática do pão e circo foi recomendada por Maquiavel: “Um príncipe deve ainda mostra-se amante da virtude e honrar aqueles que se destacam em seus ofícios; animar os seus cidadãos a exercer suas atividades de maneira pacífica no comércio, na agricultura e em qualquer outra atividade humana.”
LXXII – ESCOLHA DE ASSESSORES
Quando os ministros não são capazes e leais, sempre alguém poderá fazer um mau juízo do príncipe, porque o primeiro erro que fez foi escolher mal o integrante de sua equipe.
À primeira vista, as ações de um ministro ou secretário, podem ser questionadas pelos súditos. Assim expressa o catedrático em política: “Para um príncipe não é assunto de pouca importância a escolha dos ministros, que podem ser bons ou maus, conforme a sua prudência. Perspicácia deve ser a primeira virtude de um integrante de governo.”
LXXIII – RIQUEZA E GRATIDÃO
Por outro lado, o príncipe, para mantê-lo bom, deve cuidar do ministro, honrando-o, tornando-o rico, agradecendo-o, tornando-o partícipe de honrarias e encargos; isso é bom, para que ele veja que não pode ficar sem o seu príncipe, e para que muitas honras não o façam desejar mais riquezas nem os muitos encargos não o façam temer eventuais mudanças.
A relação entre o príncipe e os ministros deve ser agradável e frutífera, como bem acentua o filósofo italiano: “Quando o príncipe perceber que um ministro pensa mais em si do que nele, e que em todas as suas ações busca algo que seja útil para si, este ministro jamais será bom e digno de confiança.”
LXXIV – ADULADORES DE PLANTÃO
Sobre os aduladores, dos quais as cortes estão repletas, é preciso que o príncipe fique esparto, substituindo-os e escolhendo outros, que sejam mais prudentes e produtivos na função que exercem.
A questão é delicada no serviço público, referido com frequência por Maquiavel. Ele diz o seguinte, sobre o assunto: “Portanto, um príncipe prudente deve adotar um terceiro alvitre, escolhendo no Estado homens sábios e dar a estes apenas a Liberdade de lhes dizer a verdade, e somente sobre o que o príncipe perguntar, e nada mais.”
LXXV – SABEDORIA DO PRÍNCIPE
A regra geral, que nunca falha: um príncipe que não seja sábio por si mesmo, não pode ser bem aconselhado, a não ser que, por sorte, se entregasse nas mãos de um único conselheiro, homem prudentíssimo, que governasse inteiramente.
Entendendo a questão, e admitindo que um conselheiro desse nível ficaria pouco tempo no cargo, o notável filósofo conclui: “Os homens sempre se mostrarão maus, se por força das circunstâncias não se tiverem tornado bons. Conclui-se, daí, que os bons conselhos, de onde quer que venham, convém que nasçam da prudência do príncipe.”
LXXVI – MENTORIA POLÍTICA
As boas condutas sempre vão contribuir para um príncipe novo parecer antigo e logo o deixarão mais seguro e firme no poder do que se estivesse nele há muito tempo.
O mentor de política construtiva em Florença, logo apresenta a sua tese, em pensamento: “Os homens atêm-se mais aos acontecimentos do seu tempo do que aos do passado e, quando acham bons os do presente, os aproveitam e não buscam outra coisa.”
LXXVII – GOVERNO DIVINO
Em geral, muitos imaginam que os assuntos do mundo são governados pela sorte e por Deus, e que os homens, com a sua prudência, não podem nem os corrigir nem os meditar. Passam a acreditar que não haja motivo para se agitar com nada, e deixar-se governar pela sorte.
O sábio filósofo dos florentinos, com tanta experiência no exercício politico, declara: “É possível que a sorte seja o arbitro de metade das ações humanas, mas que ela deixe os humanos governarem a outra metade.”
LXXVIII – FILOSOFIA E CAUTELA
Não há homem suficientemente prudente em todo o sistema de coisas a ponto de saber acomodar-se, pois é praticamente impossível alguém não tender à direção a que a sua natureza inclina. Quando há prosperidade seguindo um caminho, nunca será persuadido a deixá-lo.
O homem da filosofia politica, inclinado às boas orientações em seu tempo, oferece subsídios para um norte feliz. Observemos: “O homem cauteloso quando vem o tempo de ser impetuoso, não sabe sê-lo, e por isso se arruína; mas se mudasse a sua natureza, quando mudassem os tempos e as coisas, não mudaria sua sorte.”
LXXIX – EXEMPLO DE MOISÉS
Para que se revelasse a virtude de Moisés, foi necessário que o povo de Israel fosse escravizado no Egito por um longo período.
Com a expressão da história bíblica e de outros povo, Maquiavel explica a ciência politica, na frase: “Embora certa esperança tenha se materializado em alguns príncipes, fazendo crer que eles fossem enviados de Deus, também se viu depois, no mais alto curso de suas ações, eles foram abandonados pela sorte.”
LXXX – LEIS E ORGANIZAÇÕES
e forem bem fundadas e grandiosas, as leis e organizações tornarão o príncipe muito admirado. Isso pode ser visto nas disputas e nos acordos, mostrando o quanto alguns povos são superiores em força. Tudo isso tem origem na gestão de líderes convictos e preparados.
Finalmente, Nicolau Maquiavel, profundo conhecedor da ciência política em sua totalidade, finaliza com a expressão de seu arcano: “É necessário, antes de tudo, prover-se de exércitos próprios, por ser este o fundamento verdadeiro de qualquer campanha, uma vez que não há outro modo de ter soldados melhores, mais confiáveis e íntegros.”
A MORTE DO FILÓSOFO DE FLORENÇA
Nicolau Maquiavel morreu no dia 22 de junho de 1527. O escritor florentino, autor do livro O Príncipe, afirmava que “o rei deveria ter a astúcia da raposa e a coragem do leão e ser dissimulado, se a segurança do Estado exigisse. O soberano precisava eliminar toda ameaça, preferindo ser temido do que amado.” O estadista faleceu em Florença, Itália, no dia 22 de julho de 1527. Seu corpo foi sepultado na Igreja da Santa Cruz, em Florença. Morreu sem ver seu sonho realizado, pois a unificação da Itália só se completaria no século XIX.
O EXÍLIO DE UM SÁBIO NO CASARIO DE SANT’ ANDREA
O casario medieval de Sant’Andrea em Percussina descansa sobre as colinas suaves da Toscana rodeado por pequenas capelas e casas de campo revestidas de flores da estação. Os fazendeiros conduzem seus Apes, pequenos veículos de três rodas abarrotados de fruitas e vegetais, enquanto o cheiro de uvas fermentadas, para fabricação do Chianti local, exala dos porões das cantinas. A sensação é de estar em algum lugar longe do turbilhão do cotidiano, embora do banco nos jardins da hospedaria seja possível avistar à distância os telhados de Florença, inclusive a torre da catedral brilhando aos primeiros raios de sol da manhã.
Embora pareça um recanto idílico do planeta, foi aqui, há cinco séculos, que o filósofo político e estadista Nicolau Maquiavel, considerado por muitos o arquiteto da política moderna, passou mais de uma década exilado. Daquele mesmo banco da hospedaria Albergaccio Machiavelli o ilustre exilado podia contemplar sua cidade natal. A maior parte do tempo da sua carreira como governante sua sorte foi o inverso da que coube aos Medici, a família florentina que assumiu o poder na Renascença e dotou a cidade de grande parte dos tesouros artísticos que atraem multidões de turistas do mundo inteiro.
Maquiavel participou de várias tentativas de impedir que os Medici voltassem ao poder, por isso acabou preso, torturado e banido para Sant’Andrea. O desfecho não foi de todo ruim. No período em que se manteve afastado, ele escreveu ‘O Príncipe’, sua obra magna, em apenas um ano. Poucos depois de publicado, a obra prima do estadista foi imediatamente confiscada e seu autor rotulado de “agente do demônio”.
Após mais de 500 anos desde que ‘O Príncipe’ foi apresentado aos Medici em Florença, teóricos e cientistas políticos se apressam em dizer que a obra foi mal interpretada na época e que na verdade trata-se do ponto de partida da política moderna, um tratado sobre diplomacia e das manobras de bastidores que sempre fizeram parte do universo da política. Líderes como John Adams e Bill Clinton foram influenciados por Maquiavel, estudaram seu trabalho a fundo e o colocaram em prática, enquanto estiveram no poder. “E preciso ser uma raposa para reconhecer armadilhas e um leão, para ameaçar os lobos” – foi esse tipo de pensamento pragmático que tornou Maquiavel tão importante através dos séculos.
Próxima ao Palazzo Vecchio fica a Basílica da Santa Cruz, onde repousam os restos de ilustres personalidades italianas como Michelangelo, Galileo e do próprio Maquiavel, em cujo sepulcro um epitáfio diz: “Tanto nomini nullum par elgoium” (Não existe elogio capaz de homenagear nome tão grande). O que não deixa de ser surpreendente, já que o objeto da deferência era considerado um pária político ateu, proibido de entrar no templo nos últimos anos de vida.
Nem todos os lugares por onde Maquiavel passou em Florença são tão visitados como o Palazzo Vecchio e a Basílica da Santa Cruz. Nos fins de tarde ele costumava passear pelos jardins Oricellari, nos brevíssimos períodos em que os Medici o liberavam para retornar à sua amada Florença. Foi durante uma dessas rápidas passagens pela cidade que ele acabou por morrer, sendo enterrado no número 18 da Via de Guicciardini, entre a Ponte Vecchio e o Palácio Pitti.
O busto de Maquiavel no Palazzo Vecchio foi copiado da sua máscara mortuária, revelando um rosto taciturno de ossos pontiagudos e lábios finos. Além de sete filhos legítimos, Maquiavel tinha um estilo de vida digno de um Casanova da Toscana, desfrutando mulheres e despachando baldes de vinho, onde quer que estivesse na Itália.
Ele escreveu num trecho de O Príncipe: “As pessoas veem apenas o que você parece ser; poucas percebem quem você verdadeiramente è.”
Documento revela ‘desgraça’ de Maquiavel
Um professor da Universidade de Manchester (Grã-Bretanha) anunciou ter descoberto a versão original de uma ordem de prisão do escritor e filósofo Nicolau Maquiavel (1469-1527), autor do famoso livro O Príncipe.
O professor Stephen Milner disse à BBC ter encontrado o documento, datado de 1513, durante suas pesquisas para entender como as informações circulavam nas cidades da época. A ordem pela prisão de Maquiavel foi dada há mais de 500 anos na cidade de Florença, onde o pensador, então influente e ativo na diplomacia da época, foi acusado de fazer parte de uma suposta conspiração para derrubar a facção Medici do poder.
O aviso de “procurado” colocou-o como “inimigo público número 1”, marcou sua “desgraça” e acabou sendo muito importante para a obra de Maquiavel. No mesmo dia, diz o professor, o pensador acabou sendo detido, torturado e mantido em prisão domiciliar.
“O documento marcou a desgraça de um dos escritores políticos mais influentes do mundo”, relata o professor. “O Príncipe foi escrito na vã esperança de Maquiavel cair nas graças e obter emprego com os Medici – mas não há nenhuma prova de que eles sequer o tenham lido.”
Maquiavel morreu 14 anos depois, na pobreza, mas O Príncipe se tornou um clássico e ainda influencia líderes, “pregando o sacrifício da virtude e da moralidade pela manutenção do poder a todo o custo”, ressalta a Universidade de Manchester. A obra de Maquiavel foi atualizada para ser aplicada em áreas como bancos, finanças, negócios e política.
CONTRA-CAPA
O LEGADO DE MAQUIAVEL
Muito citado e pouco conhecido, Nicolau Maquiavel é um dos maiores expoentes do Renascimento e sua contribuição determinou novos horizontes para a filosofia política.
Ele afirma: “… um príncipe deve gastar pouco para não ser obrigado a roubar seus súditos; para poder defender-se; para não se empobrecer, tornando-se desprezível; para não ser forçado a tornar-se rapace; e pouco cuidado lhe dê a pecha de miserável; pois esse é um dos defeitos que lhe dão a possibilidade de bem governar.”
Enfim, a Obra “O Príncipe”, de Maquiavel, deveria ser melhor estudada, ainda hoje. Ela traz subsídios importantes para todos os que desejam participar da vida pública, em suas múltiplas ações e desdobramentos da atividade política.
CONTRA-CAPA
O LEGADO DE MAQUIAVEL
Muito citado e pouco conhecido, Nicolau Maquiavel é um dos maiores expoentes do Renascimento e sua contribuição determinou novos horizontes para a filosofia política.
Ele afirma: “… um príncipe deve gastar pouco para não ser obrigado a roubar seus súditos; para poder defender-se; para não se empobrecer, tornando-se desprezível; para não ser forçado a tornar-se rapace; e pouco cuidado lhe dê a pecha de miserável; pois esse é um dos defeitos que lhe dão a possibilidade de bem governar.”
Enfim, a Obra “O Príncipe”, de Maquiavel, deveria ser melhor estudada, ainda hoje. Ela traz subsídios importantes para todos os que desejam participar da vida pública, em suas múltiplas ações e desdobramentos da atividade política.








