AMADOR AGUIAR, UM BANQUEIRO COM ORIGEM HUMILDE – História controversa, mas repleta de muito sucesso na vida empresarial
De origem humilde, fez seus estudos primários no Grupo Escolar de Sertãozinho. Trabalhou na terra, no cultivo do café, mas aos 16 anos, pretendendo crescer na vida e como também brigou com seu pai, abandonou o campo, transferindo-se para Bebedouro, onde conseguiu um emprego numa tipografia. Foi ali que, num acidente de trabalho, perdeu o dedo indicador da mão direita. Amador teve oito irmãos, porém pouco se sabe sobre eles, exceto Mário Coelho Aguiar, que trabalhou no Banco Bradesco e chegou a Vice-presidente, além de um sobrinho, Antonio Aguiar Graça, que chegou a Diretor. Curiosamente, ninguém da família Aguiar fez carreira sucessória no Banco ou faz parte da diretoria executiva, exceto, os atuais dois assentos no Conselho por força dos 10% de ações com direito a voto da herança que os herdeiros detêm no Banco, através de uma holding.
Em 1926, com 22 anos de idade, Amador obteve o emprego de office boy no Banco Noroeste, agência de Birigui. Num posto humilde, a sua carreira de bancário teve início. Com muita determinação, percorreu todos os cargos ali existentes, até o de gerente. Em seguida, foi trabalhar na Casa Bancária Almeida & Cia., com sede em Marília, instituição financeira fundada pelo Coronel Galdino de Almeida e o sócio José da Silva Nogueira, cujo presidente era José Alfredo de Almeida, cargo que ocupou até a década de 1960. Sob o comando do então presidente e controlador, Dr. José da Cunha Júnior, a Casa Bancária Almeida & Cia. – que era uma espécie de correspondente bancário do Banco do Brasil – transformou-se em banco, passando a se chamar Banco Brasileiro de Descontos S.A. Em 1946, sua sede foi transferida para a rua Álvares Penteado, em pleno centro financeiro da cidade de São Paulo e, sete anos após, a administração do banco foi levada para a denominada Cidade de Deus, Vila Yara, em Osasco. Já contava, então, com agências nas principais cidades do estado de São Paulo e em quase todos os estados do Brasil.
Curiosamente, tanto o Banco como também a Fundação Bradesco conferem a fundação a Amador Aguiar, esquecendo-se totalmente da família Almeida, que criou e se manteve à frente do negócio por 26 anos.
Em 1980, Lázaro de Mello Brandão viria a sucedê-lo na presidência do banco, ficando Aguiar como presidente do Conselho. O mais curioso é que Amador Aguiar conseguiu plantar a imagem de fundador tanto do Banco Bradesco como a da Fundação Bradesco, eliminando totalmente a família Almeida da história do banco. Era religioso ao extremo, mas era um homem de gênio difícil. Morreu em São Paulo no dia 24 de janeiro de 1991, com 86 anos de idade.








