CURIOSIDADES SOBRE O FILHO DE CABACEIRAS: Castro Alves, o poeta dos escravos, deixou importante obra para a literatura, sendo ‘Espumas Flutuantes’ a principal, de 1871
O ilustre professor de matemática e coordenador de Cultura na cidade de Castro Alves, José Pereira Amorim Filho “Professor Amorim”, em conversa com este jornalista, fez importante revelação sobre o poeta Castro Alves. Começou dizendo que “nos tempos do poeta, na realidade, toda a região pertencia a Muritiba. Era a Sesmaria do Aporá.”
Prossegue o mestre: “Curralinho era a fazenda-sede. A ideia, então, era estender os domínios do sertão nordestino, combatendo os cariri-sabujá, e aumentar a plantação de fumo, feijão e a criação de gado. Isso no início do século XVIII. Na ocasião, foi construída a capela de São José do Genipapo.”
Segue o mestre: “O avô de Castro Alves adquire, então, a fazenda. Era ele o major Castro Silva, pai de dona Clélia Brasília de Castro, mãe de Castro Alves. Talvez, por coincidência, o médico Dr. Antônio José Alves vem para Curralinho para se curar de tuberculose. Assim como Clélia, que era filha do major com uma cigana espanhola. Eles se casaram aqui no ano de 1844 no ‘casarão do poeta’, durante o conflito dos Castro e Canguçu, devido ao rapto da irmã de Clélia por um homem casado. Depois de casados, os pais de Castro Alves vão, em 1847, para a Fazenda Cabeceiras, que pertencia à sede de ‘Curralinho. Já tinham o filho José Antônio e ali nasceu Antônio Frederico de Castro Alves.”
“Quebre-se o cetro do Papa, faça-se dele uma cruz. A púrpura sirva ao povo para cobrir os ombros nus… ” Os mais velhos olhavam admirados e os mais jovens deliravam. O discurso do poeta em Recife, perante seus mestres e autoridades, no dia 11 de agosto de 1865. No Rio de Janeiro conheceu Machado de Assis, que o ajuda a ingressar nos meios literários. Em seguida, vai para São Paulo e conclui o Curso de Direito na famosa Faculdade do Largo do São Francisco.
Muito jovem ainda, Castro Alves tornou-se maçom e Amorim entende que “isso tenha ocorrido, possivelmente, devido à influência de seus mestres em Salvador, onde começou a estudar.” Outra hipótese levantada ainda sobre sua iniciação à maçonaria, tenha sido sua proximidade com Rui Barbosa, com quem convivia em São Paulo, numa república, durante o curso de direito. Rui foi também homem de letras e influente ‘iniciado’ na Ordem. É bom lembrar que, na infância foi colega de Rui no Colégio baiano, em 1858.
De férias, numa caçada nos ‘bosques da Lapa’, feriu o pé esquerdo com um tiro de espingarda, resultando na amputação do pé. Em 1870 volta para Salvador’, e publica ‘Espumas Flutuantes, único livro editado em vida, onde apresenta uma poesia lírica, exaltando o ‘amor sensual e a natureza’, como no poema Boa Noite.
Castro Alves faleceu em Salvador, no dia 6 de julho de 1871, vitimado pela ‘tuberculose’, com apenas 24 anos de idade, mas deixou como ‘legado’ uma vasta obra literária.








