Sem dúvida alguma, é paradoxal o conceito do ‘pai da psicanálise”, Sigmund Freud que a crença em Deus não passava de ‘neurose coletiva’. Contrariando o mestre sobre ‘religião’, o suíço Carl Gustav Jung, fazia parte de outra corrente de pensamento, e se afasta, então, definitivamente do conceito negativo do colega austríaco. Qualquer estudioso de Teologia, em sã consciência, pode deduzir, como teria sido o ‘confronto’ entre os dois profissionais, divergindo de uma tese muito discutida no mundo contemporâneo. Na verdade, Jung considerava todas as religiões ‘válidas’, porque todas recolhem e conservam imagens simbólicas advindas do inconsciente, elaborando-as em seus ‘dogmas’ e, assim, realizando ‘conexões’ com as estruturas básicas da vida psíquica. É bom ficar claro que “Jung reputava a religião como muito benéfica para a sociedade e, assim, deveria permanecer para sempre.”
Os ‘fenômenos’ da religião, a partir da perspectiva ‘junguiana’ devem ser levados em conta toda vez que a teologia marcar presença nos assuntos que lhe são pertinentes. Enquanto o pensador, de forma veemente ‘defendia’ que a religião era uma expressão natural do inconsciente coletivo, muito mais ‘arcaico’ que o inconsciente individual, a tese precisa ser melhor elaborada, diante de consciências mais elevadas, que enfaticamente, defendem a ‘crença’ e a espiritualidade como fatores primordiais para a raça humana. Pensadores, em linhas diferentes e antagônicas, admitem que os arquétipos são ‘instalações’ mentais que criam imagens de certas coisas e resultam dos mitos e das produções artísticas. Assim, representam algo adquirido na experiência externa do indivíduo, que opera
como força ‘elementar’ presente na essência humana. Os Fenômenos da Religião são verificados em todas as épocas e lugares, pois as pessoas necessitam de um ser superior, para servir-lhes de apoio espiritual diante dos ‘embates’ do mundo e suas adversidades, quando ficam aflitas e sem uma direção para seguir. Num momento ‘inusitado’, quando tudo parece não ter sentido, no momento em que a razão já não explica mais a realidade, nem gemina a fé, surge uma luz apontando a ‘crença’ e a ‘esperança’ num amanhã glorioso ‘circundado’ por um brado de vitória.
A ‘ideia’ defendida por Jung, no contexto de ““EU NÃO ACREDITO EM DEUS, MAS SEI QUE ELE EXISTE”, pode ser considerada um absurdo do ponto de vista teológico. Não é possível, sob nenhum aspecto, admitir um ‘paradoxo’ nesta dimensão, de certo modo, ‘enlouquecida’. O psicólogo suíço dizia que “os seres humanos nasceram com um ‘arquétipo’ de Deus, uma imagem que todos estão predispostos a ter.” Por isso, Jung não se preocupou com a existência ontológica de Deus, mas com Sua existência como realidade psíquica, ou seja, a existência dos fenômenos da religião. Assim, Jung afirmava que “não acreditava em Deus”, mas admitia que ‘Ele’ existe. A ‘crença’ em Deus deve ser de forma absoluta, sem que paire quaisquer dúvidas. Não crer em Deus é admissível, mas crer que Ele existe sem crer nEle, é uma utopia. O Cristianismo, jamais, pode aceitar este conceito.
Concluindo, a afirmativa não poderia ser outra senão ‘refutar’ a ideia do psicólogo Jung no que diz respeito a seu ponto de vista sobre Deus. Na seara da Teologia, como aluno que pretende evoluir na defesa de princípios da fé cristã, é inadmissível sob todos os prismas “Não crer em Deus, mesmo sabendo que Ele existe”. É um contrassenso descomunal, que merece uma reflexão profunda em momentos de tanta perplexidade espiritual.








