O Mito do Combate, muito difundido no Oriente Próximo e no mundo clássico, mostra nuances misteriosos, causando perplexidade para a sociedade toda, e especialmente para os espiritualistas. A Bíblia Cristã traz um relato, que está registrado no capítulo 12 do Apocalipse de João. O episódio apresenta a forma de um grande dragão vermelho, com sete cabeças e dez chifres. A dedução lógica, do ponto de vista teológico, é o próprio Satanás que aparece no céu, para reduzir ao ‘caos’ o mundo ordenado. A ‘narrativa’ pode também ser confundida com fatos mitológicos, mas ela apresenta ‘aspectos’ polêmicos para o mundo contemporâneo, muito além da mitologia.
Genericamente, o mito do combate descreve a ‘batalha’ supostamente travada entre dois seres divinos e Seus aliados, com o ‘intuito’ de dominar o mundo. O dragão, pode representar, figuradamente, uma potência mundial, provocando o ‘caos’ e a esterilidade; no contraponto, o oponente pretende cuidar da ordem e da prosperidade. As figuras mencionadas causam ‘pavor’ aos humanos que, diuturnamente, com zelo e minucioso estudo, aguardam o ‘desfecho’ de acontecimentos escatológicos no Planeta Terra, com a iminente manifestação de Jesus nas nuvens.
A possível ‘estrutura’ do Mito do Combate trará incríveis transformações na sociedade moderna, como resultado da ‘batalha’ com a abolição da ordem social e interferindo de forma direta na ‘fertilidade’ do solo e graves ameaças à natureza. Imagina-se que a ‘estrutura’ do Mito do Combate seja descomunal, causando mal às famílias em todos os Continentes. Os ‘dragões’ atacarão sempre em pares, representando o “marido e a mulher”, a “mãe e o filho”, ou ainda o “irmão e a irmã”. O oponente vai representar o ‘caos e a desordem’. Quer ‘impedir’ pela força, o ‘deus’ adversário chegue ao poder, e tenta destruí-lo após alcançar o poder. O reino do dragão será destrutivo, enquanto o ‘deus’ inimigo estiver morto e confinado ao mundo subterrâneo.
Mitologicamente, o terrível dragão vai saquear e satisfazer os seus muitos desejos; e, particularmente, atacará a esposa ou mãe do ‘deus’ morto. O herói morre, mas será restabelecido o seu reino, através de mágica da esposa, do irmão ou da mãe do ‘deus’ herói. Com muito ‘empenho’ dessas personagens, o dragão será reduzido a pó com a luta ‘titânica’ da mãe com o dragão, e seu filho o ajudará, então, no restabelecimento da força perdida de seu ‘deus’, assumindo ele mesmo o papel de rei. Batalha renovada, é vitória na certeza. Com isso, será possível a restauração de todo o ‘sistema de coisas’, tendo confirmada a ordem, para o início de uma nova era; supostamente um novo milênio.
As ‘teorias’ sobre o Mito de Combate. Alguns autores: JOSEPH CAMPBELL conhecia o tema principal da mitologia clássica. Então, afirmava: “A causa secreta de todo sofrimento é a própria mortalidade, condição primordial da vida. Quando se trata de afirmar a vida, a mortalidade não pode ser negada.”
S. LEWIS escreveu: “Vamos supor que nós sonhamos, ou inventamos, tudo aquilo – árvores, relva, sol, lua, estrelas e até Aslam. Vamos supor que sonhamos: ora, nesse caso, as coisas inventadas parecem um bocado mais importantes do que as coisas reais. Vamos supor então que esta fossa, este seu reino, seja o único mundo existente. Pois, para mim, o seu mundo não basta. E vale muito pouco.”
MACHADO DE ASSIS comentou assim: “Para que sejam traçados os elementos constituintes do mito antissemita é preciso, antes de qualquer coisa, passar do mito enquanto gênero para o mito enquanto espécie. Há uma multiplicidade de conceituações para o mito em geral e, por mais contraditório que possa parecer, quanto mais ampla for a que acolhermos, melhor será a sua aplicação aos fatos da cultura.”
A correlação existe entre os elementos que estruturam o mito e o relato do texto de Apocalipse 12, com ligeiras semelhanças, como o tipo de animais citados, mas as diferenças podem ser sentidas, entre a espiritualidade e a mitologia.
A estrutura do Mito de Combate com relação ao ‘caos’ e a ‘ordem tem características específicas, em termos de comparação da mitologia com a doutrina da escatologia. Livro de Daniel 14, versículo 22: Lá havia também um grande dragão, que os babilônios veneravam.
Referências Bibliográficas
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