CULTURA ASTECA: CÓDICES E TIRA DE PEREGRINAÇÃO
Os códices astecas são livros escritos pelos astecas pré-colombianos e da era colonial. Estes códices constituem algumas das melhores fontes primárias sobre a cultura asteca. Os códices pré-colombianos diferem dos códices europeus por serem sobretudo pictoriais; não simbolizavam narrativas faladas ou escritas. Estes códices constituem algumas das melhores fontes primárias sobre a cultura asteca. O Códice Mendoza é datado de 1541, foi escrito pelos astecas a mando do primeiro vice-rei da Nova Espanha, Antonio de Mendoza. Poucas pessoas, em geral sacerdotes, sabiam ler e escrever os manuscritos dos astecas. O uso da leitura e escrita dos astecas era ‘reservado’ à elite governamental e sacerdotal, portanto, sendo um símbolo de poder.
O Códice Boturini era uma tira de papel amate, feita a partir de fibras de plantas, produzida em 22 lâminas de 19.8 x 25.5 cm e 5,49 metros de comprimento. Seus desenhos narram a história da migração dos astecas – por isso é também conhecida como Tira de la Peregrinación – desde sua saída de Aztlan até a chegada ao Vale do México, na cidade de Tenochtitlan. Estudiosos estimam que esse movimento migratório começou por volta do ano de 1116. Aztlan era uma terra ‘ancestral’ asteca de localização imprecisa; talvez no norte ou noroeste do México. Era rodeada de água e próximo a uma ilha onde havia um Templo dedicado à água e ao fogo.
O Códice de Boturini ou Tira de la Peregrinacion é considerado o primeiro grupo de forma singular, por causa dos três aspectos: a escrita, a datação e o formato. Certamente, a história do México está vinculada a este processo, qual seja a Tira de Peregrinação dos astecas. A escrita iconográfica utilizada por esse povo tinha característica europeia, com padrão repetitivo e contendo glifos, de acordo com o sistema de escrita mixteco-nahua.
Os ‘pictográficos’ são os mais antigos e representam coisas, pessoas, deuses. Os glifos ‘ideográficos’ representavam conceitos ‘metafísicos’ como o dia, representado pelo sol, à palavra por uma voluta que saía da boca; as figuras humanas femininas eram pintadas na cor amarela. Enquanto os glifos fonéticos representavam nomes de pessoas ou de lugares.
Estudiosos debateram os ‘manuscritos’ por volta dos séculos XIX e XX, concluindo que se tratava de elementos pré-hispânico. Estudos recentes encontraram ‘aspectos’ que permitiram classificar o códice Boturini como colonial, sendo que sua produção teria ocorrido provavelmente durante as décadas de 1530-1540. Outros autores, contudo, sugerem que sua produção foi posterior, na segunda metade do século XVI, com o formato de tira. Então, pelas premissas, é provável que os manuscritos sejam préhispânicos de outras regiões, como os códices mixtecos ou da região de Puebla. A Tira de Peregrinação é longa, feita de tira de papel ou de pele animal, dobrada em forma de biombo.
A Imagem – É a representação do Códice Boturini ou Tira de la Peregrinación, do século XVI. Tem referência a usos historiográficos dos códices mixteco-nahuas, conforme Revista de História, 205, São Paulo: USP, n. 153, p. 70, adaptado.
Códice – Documento Histórico: Os documentos, regra geral, são a essência de uma organização, a memória de uma sociedade. É de suma importância a preservação do documento retratado pelos Códices dos Astecas, para a memória história de um povo.
Também é relevante preservar o documento histórico – Códice Boturini -, para as demandas intelectual e social, sobrepondo-se às políticas de acesso, as quais devem ser constantemente revistas.







