Testemunho – “Não somos os proprietários exclusivos da Graça de Deus”
Um relato que deve ser levado ao conhecimento de todas as pessoas coerentes.
A Paz de Deus para os irmãos!
Querida irmandade, no desejo de que Deus possa tocar os vossos corações através de minhas palavras, vos escrevo para contar esta pequena testemunhança daquilo que meus olhos viram.
Este humilde servo de Deus que vos escreve nasceu na graça e é crente da Congregação Cristã no Brasil desde o berço e servirei a Deus ali até o dia em que o Senhor me recolher, e graças a Deus por isso!
Tenho 23 anos e moro em S. Paulo, capital. Quase todos em minha família são crentes, inclusive meu pai é cooperador e meu tio é ancião. Tenho também uma tia, não crente, que mora em Araraquara-SP a qual não visitávamos há mais de um ano. Foi então que um dia desses, meu pai me disse: “Como será que està a tia Rosinha? Gostaria que você pegasse o onibus e fosse fazer uma visita a ela!” “Com muito prazer”, respondi a meu pai. A ideia me agradou, pois minha tia trabalha para uma confeitaria e faz doces maravilhosos e quando vou pra lá ela prepara os doces melhores que sabe fazer; o único problema é que a tia fuma demais e o fedor de cigarro fica impregnado pela casa inteira e um outro problema é que “no quarto dela tem um altarzinho com uma baita estátua da senhora aparecida que é a coisa mais feia deste mundo” e, prá completar, ela sofre de insônia e permanece a noite inteira com a TV ligada assistindo certos tipos de filme.
… no dia seguinte lá vou eu para o Terminal Rodoviário Tietê. Embarquei no ônibus e depois de uma viagem cansativa, lá estava eu chegando de surpresa na casa da Tia Rosinha, sem avisar nada a ela.
–Olá Tia, que saudade da senhora! –Mas que surpresa agradável, há quanto tempo! Se eu soubesse que você viria, teria preparado uns doces especiais para te esperar! Entre, a casa é sua!
Quando entrei, percebi alguma coisa diferente naquela casa: que estranho! Não senti aquele mau cheiro de cigarro, não vi cinzeiros cheios espalhados “prá lá e prá cá” e também não vi a estátua da santa; no altarzinho tinha um belo vaso de flores que exalavam perfume em toda a casa. Que estranho, pensei comigo! Alguma coisa aconteceu nesta casa! A tia também estava diferente: tinha uma alegria estampada em seu rosto. A essa altura não aguentei a curiosidade e comecei a conversar com ela como quem não quer nada só para ver se descobria alguma coisa e com um sorriso lhe disse: “como a senhora está mudada, tia! Tá parecendo uns dez anos mais jovem, vejo felicidade em seu rosto e até esta casa está diferente! O que aconteceu? Não vá me dizer que arranjou um noivo? Ela respondeu também sorrindo: você acertou em cheio! “De fato, eu arranjei um noivo e Ele é maravilhoso; desde que eu O conheci, minha vida mudou completamente, eu até parei de fumar…
Ah, eu bem que tinha desconfiado! Me conte logo, quem é? Ele se chama Jesus Cristo! O que você quer dizer com isso? Perguntei, surpreso e de olhos arregalados. Disse ela: “Há uns seis meses, minha vizinha me falou deste Senhor maravilhoso, me convidou para participar de um culto em sua igreja e ali fui tocada por Deus e recebi Jesus como Salvador e Senhor de minha vida. Desde então minha vida se transformou, sou uma nova pessoa.”
Antes de alegrar-me com a bela notícia, fui logo perguntando: “em qual igreja você foi? Ela respondeu: “fui numa Assembleia de Deus”; completou: “esta vizinha que me anunciou a Palavra de Deus é a mulher do pastor da igreja e eles me disseram que Jesus é o noivo da igreja e que este noivo tem ciúme; eis o motivo pelo qual joguei fora a estátua de idolatria.” Finalizou: “Me disseram também que este noivo é puro e não permanece em uma casa que fede cigarro e esta palavra me deu forças para deixar o vício; e ainda, oraram por mim e fui completamente curada da insônia. Agora durmo melhor que criança de berço.”
Fiquei ainda mais surpreso com a resposta, mas quando ela disse “Assembleia de Deus” e pastor, o sorriso desapareceu de meu rosto e estava já para responder secamente que estas igrejas não passam de seitas com fins lucrativos, onde “a obra é do homem que estuda para poder pregar e que Deus não está lá”, pois só na Congregação o Senhor a Palavra é revelada pelo Espírito Santo; pois ao menos foi isso que aprendi desde criança, mas quando eu estava para abrir a boca, senti uma voz potente que falou em meu coração: “Fecha a tua boca, esta Obra é minha!” Tremi na base e percebi que os olhos da tia brilhavam. Neste caso não me atrevi a abrir a boca, pois inexplicavelmente fiquei sem palavras.
Pensei comigo: Assim que a oportunidade surgir explicarei algumas verdades para a tia, mas no momento deixarei as coisas assim como estão. Na hora certa terei uma conversa com ela, basta que não me convide a ir com ela para a igreja. Era só o que faltava; seria o cúmulo. Dei uma disfarçada e quando estava prá mudar de assunto, a tia me fala: “Marquinho, você está convidado para o culto desta noite, não penso que você sendo um crente prefira ficar aqui em casa assistindo televisão ao invés de vir pra igreja e receber a Palavra. Justamente aquilo que eu não queria aconteceu, exatamente como uma armadilha muito bem preparada, da qual a gente não consegue se desvencilhar! E agora? Pensei comigo. Se digo que prefiro estar em casa faço o papel de crente desviado que prefere as coisas do mundo ao invés das coisas de Deus; se aceito o convite, estarei somente perdendo tempo, pois sei muito bem que a verdade não está na Assembleia de Deus, e sim, na CCB. Fiquei numa situação difícil, mas refletindo um pouco pensei: “para não ser indelicado com a tia, posso até acompanhá-la; sei que não vou receber nada de espiritual, pois é uma obra do homem, que estuda e depois se mete a ensinar carnalmente as coisas; neste caso aceitarei o convite; farei de conta que estou indo para uma sala de aula de uma escola ou faculdade. Foi, então que, titubeando, aceitei o convite com a condição que fosse a primeira e última vez.
Como já disse, cresci num lar crente e seja em casa, seja na igreja sempre escutei desde menino que “a CCB é a única igreja verdadeira e também a única verdadeira graça de Deus revelada aos homens e que fora dela o Senhor não salva e não opera, pois são obras do homem, que abre a boca carnalmente e faz as pregações carnalmente por ter aprendido em uma escola”.
Perto de minha casa em SP tem uma igreja evangélica e quando chega o Domingo de manhã muitos crentes e até mesmo o pastor daquela igreja passam em frente de nossa casa para ir aos cultos e muitas vezes meu pai e meu tio ao vê-los passar diziam: “lá vai o pastorzão mercenário acompanhando seu rebanho de seitários.” Meu pai tem voz forte e muitas vezes aqueles crentes escutavam tudo, mas não se atreviam a responder às ofensas; ao contrário, abaixavam a cabeça como se estivessem orando em espírito. Presenciando estas coisas desde pequeno, acabei tendo a mesma mentalidade de meus parentes e dos demais irmãos da CCB.
Bate-papo vem, bate-papo vai se aproximava a hora de ir prá igreja. Visitaria uma obra que é do homem, para escutar um seitário pregar como professor em sala de aula, trajando calça jeans e camiseta está bom até demais! Pensei comigo, é bobagem vestir terno e gravata. Levar Bíblia nem pensar! Chegando à igreja, procurei me acomodar em um lugarzinho meio escondido lá na última fileira de bancos perto da porta, mas um dos diáconos veio até mim e com muita delicadeza perguntou: “o irmão é crente?” Sim, respondi. O diácono disse: “então, venha prá cá meu querido, um pouco mais prá frente; este último banco é reservado para os não crentes ou para aqueles que estão com a liberdade cortada.” Vejo que o irmão está sem Bíblia. Espere um momentinho e terei todo o prazer em providenciar uma para o irmão. Dois minutos depois, voltou e me entregou uma Bíblia e um hinário, e disse: “aqui está! Se o irmão não se ofende, esta Bíblia e este hinário são um presente pro irmão! Temos sempre na igreja algumas Bíblias e hinários de reserva para presentear os crentes novos na fé. Sinta-se à vontade, irmão, e que Deus possa falar ao seu coração!
A gentileza daquele diácono me deixou de ‘boca aberta’ e também um pouco envergonhado, pois dei a impressão daqueles crentes relaxados que vão prá igreja sem Bíblia, sem terno e sem nada. Em alguns minutos o culto teve início, e os crentes começaram a orar; e ao contrário do que eu pensava não era uma oração carnal e superficial, era uma oração sentida que vinha do profundo da alma. Foram cantados dois belos hinos do hinário deles que se chama Harpa Cristã, e depois disso cantou também o Coral e confesso que nunca havia visto uma coisa tão linda. Foram dadas as oportunidades para os testemunhos e fiquei surpreso: nunca pensei que esta gente considerada seitária pudesse receber tantas bênçãos! Um deles: “louvo ao Senhor, pois eu era aidético, estava para morrer, mas através da oração de um irmão, fiquei completamente curado da AIDS, e hoje sirvo a Deus.” Outro testemunhou: “dou graças ao meu Deus, pois eu tinha o desejo de receber a promessa e ontem, enquanto dirigia meu carro voltando da igreja, fui selado com o Espírito Santo, aleluia!” Outros mais, e a igreja começou a ser visitada com virtude e os crentes glorificavam a Deus com uma unção que eu não conhecia antes. Minha satisfação durou pouco, pois naquele momento o pastor começou a pregar. (Agora eu quero ver, pensei comigo… este homem deve ter estudado e ensaiado o dia inteirinho prá pregar e, com certeza, terá que ler nalgum lugar e não demora muito começará a pedir dinheiro…)
Quando o pastor abriu a boca, a igreja inteira ficou em reverência. Ele disse: “eu sinto que Deus está neste lugar e falará com a igreja nesta noite; convido os irmãos a abrirem suas Bíblias em Exodo capitulo 3.” Começou a pregar, a pregar e a pregar e o povo glorificava a Deus, cada vez mais; alguns choravam, uns dois ou três abaixavam a cabeça, outros se manifestaram em línguas, e começou a cair virtude do alto. Percebi que alguma coisa estava acontecendo naquele lugar; foi então que do púlpito o pastor disse: “você que entrou aqui dizendo em seu coração que esta obra é do homem e não de Deus, o Senhor te manda tirar as sandálias dos pés, pois o lugar que você está pisando é terra santa!” Vi que aquele homem não estava falando dele mesmo, pois as palavras que dizia não vinham dele e muito menos de uma pregação já escrita e ensaiada em casa. A Palavra disse tudo aquilo que eu havia pensado e várias outras coisas que eu não tinha contado a ninguém e que só eu poderia saber; faltou só dizer meu nome completo e endereço. A esse ponto comecei a chorar sentindo a presença de Deus e não tive dúvidas: era Deus falando na boca daquele homem. Afirmo sem sombra de dúvida que o Senhor se fez presente naquele lugar!
Noutro momento, foi cantado um hino e os diáconos passaram recolhendo as ofertas dos crentes, mas tudo muito discretamente, sem apelação e o pastor nem se atreveu a dizer frases do tipo: “vocês têm que dar o dízimo!” Fiquei muito surpreso, pois sempre escutei falar em nosso meio que nas outras igrejas os pastores obrigam os crentes a dar o dízimo; constatei que isto não é verdade!, pelo menos na igreja que visitei.
O culto foi terminando, e na oração final o Senhor derramou poder na igreja. Vi uma coisa maravilhosa que me tocou profundamente: quando dois irmãos se saudaram com um abraço, caiu virtude, começaram a falar em línguas e um deles foi selado com a promessa do Espírito Santo. Que coisa estranha! Pensei comigo: Sempre me disseram que o Espírito Santo visita somente a Congregação. E mais estranho ainda: na CCB sempre me disseram que as outras igrejas são como salas de aula de uma escola material, onde um homem estudou para poder falar ali na frente. Nos anos em que frequentei a escola, passei por muitas salas de aula mas nunca vi ninguém recebendo a promessa. Nunca vi os alunos recebendo virtude e falando em línguas como vi naquele culto. Também nunca vi nenhum professor de escola entregando a Palavra por revelação de Deus como fez aquele pastor.
O culto acabou e vi os crentes saindo alegres e com a alma restaurada e, quando eu estava para sair do templo, o pastor se aproximou, me saudou com um abraço e sorridente me disse: “Paz do Senhor, meu querido, nos dê o prazer de sua visita mais vezes!” Isto ele disse sem saber quem eu era e nem de onde eu vinha. Foi neste momento que fiz um último teste pra ver se aquele homem era um verdadeiro servo de Deus: disse a ele se pregação foi uma bênção! “Em qual escola o irmão estudou pra conseguir pregar assim, e quem era o seu professor?”
Com a simplicidade de um menino, o pastor respondeu: “a escola, na qual estudei e estudo até hoje é o meu quarto e meu professor é o Espírito Santo de Deus que ensina e revela todas as coisas, e assim que eu me ajoelho na beira de minha cama e começo a orar, este professor maravilhoso vem pra me ensinar.” Aquela resposta me fez sentir muito pequeno, como um grão de areia, podendo eu ter ficado sem essa…
Aquele culto ficou marcado em minha vida, e foi o Senhor Jesus quem permitiu que eu participasse dele, pois naquela noite eu pude entender quatro coisas muito importantes:
1 – A CCB não é a proprietária exclusiva da graça de Deus. Nós da Congregação não somos os proprietários exclusivos da graça de Deus.
2 – Deus não faz acepção de pessoas.
3 – Não somos os donos da Verdade.
4 – Não temos o direito de julgar os crentes de outras igrejas nem os pastores que as conduzem.
DEUS SEJA SEMPRE LOUVADO!
(Testemunho de um jovem da CCB, que prefere não se identificar)







