O ser humano não é só um ser como mostraram as filosofias reflexivas. O que levou a um reducionismo da sua identidade, ficando como fragmentada. O ser humano é também um ser de necessidades e de afecções. E no domínio da afetividade e do desejo como afirmação originária do ser, o pensamento é de difícil acesso, já que a palavra é demasiada face à existência. Por outro lado, a relação do desejo com o reconhecimento traduz-se na caminhada do homem falível ao homem capaz de agir, desvelando novas capacidades, a de narrar, prometer, perdoar e paralelamente as capacidades sociais que o atestam como um ser relacional. Assim, o reconhecimento-atestação conduz ao reconhecimento mútuo, no qual o sujeito se reconhece e solicita ser reconhecido por aquilo que ele é, o que significa que nunca a consciência ou o sujeito se pode fechar em si.
A consciência nunca é consciência de si para si, é antes consciência de si diante de outro, distinta de tudo o resto, o que lhe confere unicidade num jogo de reconhecimento mútuo. Por esta razão, o plano da alteridade assume ao longo do presente estudo uma importância inquestionável na busca pela identidade humana, sendo que o ser humano nada é, quando é só para si. O desejo constitui assim o manifesto do ser humano no palco do mundo, o esforço do indivíduo pela presença, presença a si e presença a um outro em que o reconhecimento é condição essencial para a construção de sua identidade.








