Este homem caminhando com sua pequena filha se tornaria um dos maiores escritores e poetas do Brasil. Na foto, Carlos Drummond de Andrade com 31 anos de idade, e sua filha Maria Julieta com 5 anos. A imagem foi capturada em uma das movimentadas avenidas de Belo Horizonte no ano de 1933.
O escritor amava sua filha, e enquanto vivos tiveram uma boa e complexa relação. “A filha era a sua grande amizade intelectual”, garantiu seu genro numa entrevista, “mas a verdade é que Drummond a massacrou como intelectual e escritora”, pois “ser filha de um gênio é intolerável.” Para, escapar ao peso formidável da figura paterna, Maria Julieta se casou, aos 21, com um homem vinte anos mais velho, o advogado e escritor argentino Manuel Graña Etcheverry, indo viver em Buenos Aires, onde passou 34 anos. O genro, escritor Octavio Mello Alvarenga, contou, ainda, que durante muito tempo pai e filha mantiveram ritualmente o costume de se escreverem aos sábados, relatando pelos correios, as peripécias da semana. Depois que ela morreu, ele quis rasgar as cartas, diz Alvarenga. Eu é que o fiz mudar de ideia. As cartas trocadas entre a cronista e seu pai ao longo de 50 anos, serviram como base para o monólogo teatral Cartas de Maria Julieta e Carlos Drummond de Andrade, encenado por Sura Berditchevsky em 2012.
No ano 1987, Julieta faleceu com 59 anos, vítima de um câncer. A fatalidade foi demais para Drummond, já com 84 anos. No cemitério, ele teria dito a um amigo que sua vida tinha acabado. Doze dias depois – 17 de agosto -, o escritor sofreu um infarto e morreu. Sua médica, a cardiologista e geriatra Elizabete Viana de Freitas, que o acompanhava há três anos, preferiu usar linguagem menos técnica para descrever o mal que o abateu: “Carlos Drummond de Andrade”, disse, “morreu de amor.”
Ele foi enterrado ao lado da filha no Cemitério São João Batista, no bairro Botafogo, no Rio de Janeiro.








