Hermenegildo Ramos de Andrade teria sido um justiceiro em Mundo Novo
Um policial civil valoroso, conforme o relato de Nilson Otaviano da Silva. Hermenegildo Ramos foi realmente um homem destemido e de muita competência. Mundo Novo deve muito a ele no quesito “segurança pública”. A atuação dele era decisiva, mas só queria o bem das famílias.
“Cornozópi não, Bairro Itaipu, por favor!” (Nilson Silva)
Figura lendária da segurança pública em Mundo Novo, no início dos anos 80, o senhor Ramos, cujo nome verdadeiro desconheço, assim como qual era sua função policial, mas me lembro que as pessoas adultas, diziam o que o “Véio Ramo” era “bate-pau” da Polícia. Penso que se tratava de um detetive nomeado por apadrinhamento, coisa comum naquela época. Independente disso, seu nome era temido e destemido na fronteira Brasil-Paraguai.
Ele nutria um amor todo especial pelo Bairro Itaipu, e poucas coisas lhe irritava mais, do que os gracejos de alguns gaiatos, que usavam o termo “Cornozópi”para se referir ao perímetro que abrangia parte das Ruas José Bonifácio, Olavo Bilac, Avenidas Castro Alves e São Paulo e Travessas Tupã e Eldorado, justamente o local em que ele residia, juntamente com sua família.
Me conta um amigo, um pouco mais velho que eu e que reside naquelas redondezas até hoje, que em determinada ocasião, Ramos estava no “Bar do Unhão”, quando um senhor agora falecido, pai de um comerciante hoje muito conhecido em Mundo Novo, disse que por ali, só morava “corno e cabra safado”.
Irado, o policial sacou de um revólver calibre 38, de origem inglesa e em um tempo em que não se cogitava o tal dos direitos “dos manos”, digo, humanos, obrigou o cidadão a escrever em uma folha de papel por cem linhas a frase: “Aqui também moram homens”. Encerrada a tarefa, tomou uns belos “pé-de-ouvido” e em seguida, foi “gentilmente convidado” a se retirar do Bairro, pois caso contrário, o que já estava ruim poderia piorar muito.
Uma cena protagonizada pelo senhor Ramos e que me lembro bem, ocorreu por volta de 1982. À época tinha eu cerca de oito anos de idade e juntamente com alguns colegas da mesma faixa etária, jogava futebol na terra batida da Rua Olavo Bilac, na esquina com a Rua José Bonifácio, sendo que o gol (traves) era um par de chinelos velhos, e a parede do bar ali existente, fazia às vezes de rede, já que desta forma, a bola não ia longe, enquanto um grupo de moradores locais e visitantes adultos degustavam cachaça e assistiam ao “clássico”.
Embalado pela pinga e motivado com o jogo, um dos “turistas”, comentou em alto e bom tom, que “a molecada da Cornozópi, até que é boa de bola”. Foi o que bastou para tirar Ramos do sério. Desafiou o indivíduo a usar novamente o termo pejorativo para se referir ao local. O desgraçado que estava “dentro do litro”, teve essa audácia, ou melhor, cometeu essa idiotice.
Lembro claramente de ter visto Ramos tirar da cintura, o Smith Inglês de seis polegadas e que estava “entupido” de munições. Foi um “Deus nos acuda”. Correria geral. Quando ouvi o som do disparo, já tinha pulado à cerca de minha humilde residência, que distava cerca de 20 metros do local. O “abusado” tinha sido alvejado por um projétil em dos dedos do pé direito. Foi levado às pressas do local em uma carroça de tração animal, gritando de dor.
Com sua costumeira frieza, Ramos terminou de degustar sua bebida e foi para casa. Meus amigos e eu, assustados, ficamos três dias sem usar o “campo”. Passado o susto, lá estávamos nós, nos divertindo e comendo doces que aquele senhor, de cabelos brancos, olhar carismático e revólver na cinta, a quem pedíamos à benção, pois lhe tratávamos como se fosse nosso avô, pagava para a gente, aliás era o único a fazer isso, pois da vizinhança, ele era quem tinha melhor condição financeira.
Não sei que rumou tomou o Senhor Ramos, mas posso afirmar que o Bairro Itaipu, em especial a “ex-Cornózopi”, cuja origem do apelido não sei dizer, é uma das melhores regiões de Mundo Novo para se morar, já que fica próximo à Prefeitura, da Rodoviária, de mercados, do Fórum, da Escola Marechal Rondon, dos bancos, da Igreja Matriz, enfim, está quase no centro da cidade. Fica longe do Pelotão da Polícia Militar e da Delegacia de Polícia Civil, mas ainda assim, há muito tempo, não se registram furtos e nem roubos por ali.








