O que significa ser um cético?
O Céptico é outro inimigo da religião, que naturalmente provoca a indignação de todos os teólogos e filósofos mais meditabundos, embora seja certo que ninguém encontrou alguma vez uma tal absurda criatura, ou conversou com um homem que não tivesse nenhuma opinião ou princípio relativo a qualquer assunto, quer de ação, quer de especulação. Isto gera uma questão muito natural: o que significa ser um céptico? E até que ponto é possível instigar os princípios filosóficos da dúvida e da incerteza?
David Hume é tradicionalmente classificado como uma filósofo céptico e até mesmo irracionalista. Mas, o que significa ser um céptico? É bom clarificar em que sentido é que Hume pode ser considerado um céptico e que tipo de cepticismo lhe pode ser coerentemente atribuído.
Para sublinhar o carácter não subjectivo e universal do hábito apresentarei a definição que Hume dá do hábito como instinto e introduzirei a ideia de “sabedoria da natureza” como estando na origem dessa propensão universal.
Para mostrar isto será também necessário clarificar o conceito de razão implícitos nesta discussão e descartar definitivamente a hipótese irracionalista.
O cepticismo radical é uma posição filosófica impossível de ser sustentada por duas razões. Por um lado, é auto-refutante porque qualquer versão dele que tentemos formular utiliza necessariamente processos racionais, processos esses que estão a ser postos em causa pelo próprio argumento.
O Cepticismo Filosófico é muito antigo. Por exemplo, o sofista Gorgias (483-378 aC) afirmava que nada existe, ou se algo existe não pode ser conhecido, ou se algo existe e pode ser conhecido não pode ser comunicado. Gorgias, contudo, é mais conhecido como sofista do que como céptico filosófico. Pirro (c. 360-c.270 aC) é geralmente considerado o primeiro céptico da filosofia ocidental. Pouco se sabe dele e dos seus discipulos, ou dos nomes seguintes da história do Cepticismo, Arcesilaus (ca. 316-241 aC) e Carneades (214-270 aC), cada um dos quais dirigiram a Academia fundada por Platão.







