Leon Nikolayevich Tolstoi nasceu em 1828, na propriedade de sua família em Iásnaia Poliana, província de Tula, um vilarejo a leste de Moscou. Rico herdeiro de uma família de aristocratas de alta linhagem, cresceu com todo o conforto, apesar de ter se tornado órfão da mãe aos 2 anos e do pai aos 9. Foi educado por preceptores até que entrou na Universidade de Kazan em 1844, mas não terminou a graduação e voltou a sua cidade natal em 1847 para administrar a propriedade e conduzir a própria educação. Contudo, não se readaptou à tranqüilidade do campo e passou a levar uma vida de dissipação, dedicada ao jogo e às mulheres, em Moscou. Alistou-se em 1851 como soldado no Cáucaso, juntando-se ao irmão e lutando contra tribos montanhesas. Em 1852, alistou-se no Exército e lutou na Guerra da Criméia (1853-1856). Iniciou então a carreira literária inspirado nas experiências da vida militar.Após uma viagem de três anos pela Alemanha, França, Suíça e Itália, casou-se em 1862 com Sofia Bers, dezessete anos mais nova que ele e com quem teve 13 filhos. Recolheu-se com a mulher à sua propriedade, onde outra face de sua personalidade começou a se revelar com intensidade. Há quem diga que, sentindo-se culpado pelos sofrimentos do povo, fundou escolas e obras assistenciais para seus empregados. Nesse período, leu as obras que mais o marcaram espiritualmente, como Dom Quixote, de Cervantes, e Os Miseráveis, de Victor Hugo, enquanto ia-se tornando cada vez mais místico. Atormentado por crises existenciais em 1880, convenceu-se de que uma força inerente ao homem lhe permitiria discernir o Bem e formulou os princípios que doravante norteariam sua vida. Passou a recusar não só a autoridade de qualquer governo organizado e da Igreja Ortodoxa russa, que o excomungaria em 1901, como o direito à propriedade privada e, inclusive, no terreno teológico, a imortalidade da alma. Para difundir suas idéias, passou a criticar a sociedade e o intelectualismo estéril em panfletos, ensaios e peças teatrais. Dedicou-se a uma vida de comunhão com a natureza. Deixou de beber e fumar, tornou-se vegetariano e passou a vestir-se como camponês. Convencido de que ninguém deveria depender do trabalho alheio, buscou a auto-suficiência e passou a limpar seus aposentos, a lavrar o campo e a produzir as próprias roupas e botas.Em 1910, aos 82 anos, abandonou a casa em companhia de Aleksandra, sua médica e filha mais nova, em busca de um lugar onde pudesse sentir-se mais próximo de Deus. Dias depois, em 20 de novembro, morreu de pneumonia na estação ferroviária de Astapovo, província de Riazan.









