Desmoronamentos e fogo por todo lado. Mutilados e queimados. Remoção de cadáveres. A ilha japonesa de Kyushu, onde fica Tóquio, foi reduzida a cinzas pelo mais drástico terremoto, o Kanto Daishinsai. Panelas voaram e fogões entornaram queimando as paredes, quase todas de madeira. O Japão em 1º de setembro de 1923 era ainda agrícola e mal entrara na fase de industrialização. Poucos minutos de abalos, 680 mil casas incendiadas, 90 mil mortos, 100 mil feridos e prejuízo de 345,1 bilhões de Ienes, dados do governo japonês. Entre os sobreviventes, um homem recém-chegado na capital escapou com apenas a roupa do corpo. Anos depois, através de publicações de seus ensinamentos, pessoas mudariam suas vidas, alcançariam curas, arranjariam emprego e solução para seus problemas.
O “homem-milagre do Japão” era Masaharu Taniguchi. Um jovem que teve infância pobre, foi criado pelo tio de maneira severa, tinha comportamento introspectivo e era dado à leitura de filosofia e religiões. Naquele momento não conseguia compreender os propósitos de Deus ao sacrificar tantos inocentes. Maldizendo a sociedade, entregou-se ao desprezo, teve amantes, contraiu tuberculose, doenças venéreas e uma insônia perseguidora. Chegou a escrever um livro colocando Jesus Cristo como antagonista e Judas Iscariotes como herói. Menos de um ano depois, o destino revelaria um paradoxo. De um cenário de tragédia, conflitos existenciais e revolta, pela meditação, Masaharu Taniguchi teria uma revelação e criaria uma das crenças mais otimistas do oriente: a Seicho-no-ie (SNI).
Seicho-no-ie significa “Lar do Progredir Infinito”. Religião para os japoneses e filosofia de vida para os brasileiros, começou como simples movimento filosófico, psicológico e cultural. Seus ensinamentos são uma miscelânea de idéias do Cristianismo, do Xintoísmo e do Budismo, com conteúdos de filosofia, psicologia, medicina e literatura. Parte do princípio de que o mundo material não existe por si, mas é conseqüência da vibração da mente humana. O homem é originalmente filho de Deus, imortal, perfeito e sem pecados. Para progredir, deve conduzir sua mente apenas para o lado positivo, sem deixar prender-se pelo negativo. A doença, a pobreza, a guerra, acidentes, terremotos, enfim, todo o mal não existe, mas é materializado pela mente conduzida de forma errada.
De acordo com a filosofia, existe o Jisso (dissô), “imagem verdadeira”, ou seja, a realidade perfeita criada por Deus, a natureza verdadeira do ser. E o “mundo fenomênico” ou tudo que se percebe através dos sentidos. Os seguidores se orientam pela principal obra do mestre, A verdade da vida, 44 volumes que tratam de problemas que ocorrem em função das atitudes mentais. Todos os dias, meditam uma síntese das “verdades”, a Sutra sagrada ou Néctar da verdade e o Shinsokan, oração meditativa para conexão com a Divindade.









