Gostaria de agradecer a todos que se solidarizaram com o ocorrido ontem. Eu e o Felipe estamos bem, não apanhamos e, na medida do possível, tivemos calma para não piorar a situação. Agradeço também às pessoas que nos socorreram em Mundo Novo, aos polícias militares de Mundo Novo que foram muito prestativos; aos agentes da Polícia Rodoviária Federal, que tentaram de todas as formas nos confortar; e também para equipe da Polícia Civil de Iguatemi, que nos deram muita atenção e estão na busca pelo esclarecimento dos fatos.
A partir de ontem, notei como nossa vida é frágil e o quanto somos vulneráveis. Poderia ter sido o nosso último contato com nossos pais e amigos, mas Deus nos deu mais uma chance. Talvez por tanto orar dentro carro (com as armas apontada para costela e nuca), pedindo perdão e querendo a oportunidade de passar mais uma virada do ano com familiares e amigos.
Quando fomos abandonados em uma plantação de soja, pediram para que nós corrêssemos, e eu e o Sioux corremos, muito. Era a corrida pela vida, pelo desejo de ter oportunidade de passar mais um ano com todos aqueles que são importantes e também de desfrutar um pouco mais da vida que nos foi concedida.
Dentre os quatro sujeitos que nos acompanhavam (dois homens, uma mulher, todos maiores de idade, com no máximo 21 anos; e um pirralho, que devia ter uns 14 anos), chamou atenção a forma como o menor de idade brincava com nossas vidas, deixando claro que para ele seria uma honra chegar na UNEI com um crime de latrocínio no histórico. Se dependesse dele, provavelmente não estaríamos aqui.
Então, chamo a atenção, mais uma vez a questão da redução da menoridade penal, tema que sempre fui favorável. Afinal, 3 anos de UNEI não recuperariam nossas vidas e não protegerá as futuras vítimas que o sujeito irá fazer.
A menoridade penal deixa o Ministério Público e a Polícia de mãos atadas para realizarem seu trabalho. Gostaria de ver se um dos defensores da manutenção da maioridade penal de 18 anos não mudaria de ideia caso vivenciasse a possibilidade de perder sua vida e de um de seus melhores amigos por um inconsequente, sedento para “estourar uns miolos”.
Perdemos carro, celulares, joias e documentos, mas tudo isso é insignificante quando temos a oportunidade de acordar por mais um dia.
Thomás Ledesma








