A gente vai embora e fica tudo aí: os planos a longo prazo e as tarefas de casa; as dívidas com o banco, as parcelas do carro novo que a gente comprou para ter status. A gente vai embora sem sequer guardar as comidas na geladeira; tudo apodrece, a roupa fica no varal.
A gente vai embora. Tudo se dissolve e some toda a importância que pensávamos que tínhamos. A vida continua, as pessoas superam e seguem suas rotinas normalmente. A gente vai embora. As brigas, as grosserias, a impaciência, serviram para nos afastar de quem nos trazia felicidade e amor. A gente vai embora e todos os grandes problemas se transformam em um imenso vazio, não existem problemas. Os problemas moram dentro de nós. As coisas têm a energia que colocamos nelas e exercem em nós a influência que permitimos. A gente vai embora e o mundo continua normal, como se a nossa presença ou ausência não fizesse a menor diferença. Na verdade, não faz. Somos pequenos, porém, prepotentes. Vivemos nos esquecendo de que a ‘morte’ anda sempre à espreita.
A gente vai embora! É bem assim: piscou, a vida se vai… O cachorro é doado e se ‘apega’ aos novos donos. Os viúvos se casam novamente, andam de mãos dadas e vão ao cinema. Somos rapidamente substituídos no cargo que ocupávamos na empresa. As coisas que sequer emprestávamos são doadas, algumas jogadas fora. O tempo voa, desde o momento em que a gente nasce. A viagem segue veloz com um destino ao fim e ainda há aqueles que vivem com pressa.
A gente vai embora, quando menos se espera! Aliás, quem espera morrer? Se a gente esperasse pela morte, talvez a gente vivesse melhor. Talvez a gente colocasse nossa melhor roupa hoje, talvez a gente comesse a sobremesa antes do almoço. Talvez a gente esperasse menos dos outros! Se a gente esperasse pela morte, talvez perdoasse mais, risse mais, saísse à tarde para ver o mar, o pôr do sol, talvez a gente quisesse mais tempo e menos dinheiro. Quem sabe, a gente entendesse que não vale a pena se entristecer com as coisas banais, ouvisse mais música e amasse mais as pessoas
A gente vai embora o tempo todo, aos poucos e um pouco mais, a cada segundo que passa. Ninguém se preocupa com o tempo passando e nem se lembra que a ‘vida é curta e incerta’. Então, é necessário viver fazendo o bem, praticando o amor e a humildade e, sobretudo reconhecendo que o mais importante na passagem pela Terra são as boas amizades e a genuína fé em Deus.
(Texto de Sergio Cursino, com adaptação)








