Segundo a filosofia, liberdade é o conjunto de direitos de cada indivíduo, seja ele considerado isoladamente ou em grupo, perante o governo do país em que reside; é o poder de qualquer cidadão exercer a sua vontade dentro dos limites da lei. Diversos filósofos estudaram e publicaram algumas obras sobre a liberdade. Para Descartes, “a liberdade é motivada pela decisão do próprio indivíduo, mas muitas vezes essa vontade depende de outros fatores, como dinheiro ou bens materiais.”
Segundo Kant, a liberdade está relacionada com autonomia; é o direito do indivíduo dar suas próprias regras, que devem ser seguidas racionalmente. Essa liberdade só ocorre realmente, através do conhecimento das leis morais e não apenas pela própria vontade da pessoa. Kant diz que a liberdade é o livre arbítrio e não deve ser relacionado com as leis.
Para Sartre: “a liberdade é a condição de vida do ser humano, o princípio do homem é ser livre.” O homem é livre por si mesmo, independente dos fatores do mundo, das coisas que ocorrem, ele é livre para fazer o que tiver vontade. Karl Marx diz que a liberdade humana é uma prática dos indivíduos, e ela está diretamente ligada aos bens materiais. Os indivíduos manifestam sua liberdade em grupo, e criam seu próprio mundo, com seus próprios interesses.
Nós Portugueses estamos habituados a pronunciar e a cantar a palavra “liberdade” desde que em Abril de 1974 se proclamou publicamente a palavra liberdade, como resposta a tantos anos de ditadura. A este propósito alguém fez este comentário: A minha liberdade está longe da euforia da conquista de Abril, dos ideais cantados por tantas vozes poderosas, pelas ideias que iriam mudar o país. Não me interpretes mal, Liberdade, é evidente que a democracia é incomensurávelmente melhor do que qualquer ditadura, acontece apenas que ainda existem situações de aprisionamento, de condicionalismo, de vigilância.
A minha liberdade é ameaçada quase todos os dias, por ser mulher, por ter a idade que tenho, por ter feito um percurso assim ou assado. Sim, conquistámos montanhas, andámos quilómetros em mais de 40 anos. A revolução do 25 de Abril em 1974 foi bonita; não foi, no entanto, maravilhosa para sempre. Talvez o mal esteja nas pessoas. São as pessoas que se acomodam às ditaduras, são as pessoas que definem as democracias. Penso em ti, Liberdade, como quem pensa num objetivo máximo. Ser livre para ser quem sou, para dizer o que quero, para fazer o mesmo que qualquer outro, homem e mulher, com igualdade, paridade, com as mesmas condições. A mesma remuneração. Dirás, Liberdade, que estou a ser ingrata, que as mulheres são hoje mais livres. Tens razão. Mas eu sou ambiciosa, quero mais. Não te ofendas, não”.
Na verdade, a liberdade é uma grande virtude deste século, que é praticada em muitos países, em muitas sociedades, em muitas famílias e em muitas pessoas. Mas, a liberdade deve ter uma regra: A minha liberdade termina onde começa a liberdade do meu próximo.
(Antônio Francisco Gonçalves Simões, Coronel Capelão das Forças Armadas, de Portugal)








