O portão, constantemente aberto, o dia inteiro,
Permite que alguém possa entrar, e faceiro,
Venha bater à minha porta à busca de guarida.
Chegando a noite, eu mesmo vou fechá-lo,
Olhando dos lados, um visitante, sem magoá-lo
Vejo-o muito triste, e quer contar sua vida…
Sem que quisesse ouvi-lo, ergue a sua mão,
O visitante noturno pede um pouco de compaixão
Uma viva alma chegando, meu semelhante…
Poderia ser um ladrão, que vem para assaltar,
Tirando o meu sono, mas tive que lhe escutar…
E nesta noite silenciosa, parei por um instante.
O portão continua aberto, quase dorme a cidade,
Aquele homem apenas clama por solidariedade…
Olho para o céu contemplando a imensidão,
Imaginando uma noite negra, preciso meditar…
Ocupo aquele belo espaço, grandeza sem par
Vem do alto um manancial de inspiração.
Meu coração começa a pulsar, de repente…
Minha mão treme e todo o meu ser sente.
O portão precisa ficar aberto ao irmão…
Vejo o brilho de uma estrela muito além,
Me toca profundamente, vejo que alguém,
Aquele homem, bem próximo, me dá a mão.
Esse gesto me comove, convido-o a entrar,
E sua história todinha, ele se põe a contar…
Meu coração se desmancha na mesma hora.
Dias e noites pobres criaturas vagam por aí,
O portão fechado, eu fugindo, triste saí…
Na garagem, o sonho, enquanto a alma chora.
23.01.2008 – Jairo de Lima Alves









