A Cigarrinha na Primavera
Um canto mavioso, longo e distante: é a cigarrinha,
Que na primavera aparece mais para cantar;
Faz despertar a saudade, apertando o coração
Às vezes no quintal, fica ela tão sozinha…
Cantando, cantando! E quanta coisa faz lembrar!
Momento de tristeza e de amarga solidão.
A cigarrinha pode estar apaixonada, e canta…
Nas horas mais tristes, ela é nossa companheira
Um inseto que coopera sempre com a ecologia…
De manhã ou à tardinha, o sertanejo encanta
Pequenina, que muito grita, fazendo sua zueira
Viver com ela é dadivoso e cura a nostalgia.
Na seiva de raízes, as ninfas cultivam a vida
O ciclo natural de nossa amada cigarrinha…
Emite o som que ensurdece, do seu jeito.
Não se cansa a cigarrinha, embora ferida…
O amante pode estar longe, e ali sozinha,
Canta, canta… E respira um ar perfeito…
A cigarrinha vive a cantar, em toda estação…
É na primavera que ela mais solta a sua voz
Pelas matas a dentro, começa a cantoria.
Ouvi-la é uma graça e traz recordação…
O clamor audível que chega até nós
Produz o tédio, mas também dá alegria.
01.12.2007 – Jairo de Lima Alves









