Sussurrando pelo caminho, às vezes, ele canta triste;
no âmago, a saudade dói; distrai ao som de uma viola.
A voz parece emudecer, diante do quadro que existe;
e, na penumbra da noite, em silêncio, também chora.
A vida passou tão depressa, os tempos da mocidade;
os amores que conquistou, de repente, tudo termina!
Fica, então, com os versos soltos da vida, e a saudade
continua. Seguindo em frente, na gloriosa luz divina.
A voz do poeta prossegue, anunciando com ousadia:
é voz de um atalaia – a hora de despertar do sono…
é constante na lida, apesar do sofrimento e nostalgia
que grassam no peito, os reflexos do próprio dono.
A trêmula voz do poeta ecoa em todos os cantos…
os registros indeléveis na memória, quase ao fim!
Tristes rabiscos num papel amassado, os encantos
da vida. O poeta é sempre saudoso! Ele vive assim.
Versos e viola: foge a inspiração dos tempos idos,
embora tantas lembranças residem no coração…
o tempo é ingrato e não pára: amigos desaparecidos
como a sombra, afagam a alma que vive na solidão.
15.11.09 – Jairo de Lima Alves









