O MISTICISMO NAS IGREJAS CRISTÃS
As denominações cristãs, regra geral, adotam, de maneira simplista e muito discreta, muitos princípios defendidos pelo filósofo Platão, antes de Cristo, na Grécia Antiga. Platão, que era da linhagem de Sócrates e que teve Aristóteles como sucessor, forneceu na época o modelo ideal para a crença em Deus, o que ainda se verifica nos dias atuais em igrejas cristãs do Ocidente e em grande parte dos cultos orientais, cujas práticas místicas podem ser facilmente constatadas pelos estudiosos do Misticismo, como ciência humana. Com aplicações diferenciadas do conjunto dogmático, as religiões e mesmo as igrejas nacionais e suas derivadas, seguem padrões doutrinários que têm muito a ver com a vivência mística das escolas de mistério a que Platão fazia parte, assim como muitos filósofos de seu tempo e outros que seguiram, ao longo da história, a sua maneira de interpretar a Vontade Divina.
Particularmente, no Brasil, pode-se, em poucas palavras, estabelecer uma linha de comparação entre os conceitos místicos de Platão com as crenças da atualidade, sejam elas de pensamento católico, protestante, espírita e mesmo das sociedades místico-filosóficas.
Também derivadas do movimento judaico-cristão, as igrejas cristãs defendem pontos comuns, mas não se entendem diante de pontos divergentes, conforme dogmas estabelecidos por seus fundadores.
As Assembleias de Deus, divididas em dezenas de ministérios e que representam mais da metade da nação evangélica no País, têm os seus princípios implantados por Gunnar Vingren e Daniel Berg, e que aos poucos vão perdendo a identidade, que muitos chamam de evolução natural. Este grupo pentecostal tem em seu bojo práticas místicas muito claras, embora seus membros não admitam isso. Quem sabe, por este motivo, renomados dirigentes, embora questionados, sejam adeptos de organizações consideradas secretas, como Maçonaria e Ordem Rosacruz. Os Adventistas de todos os matizes, ao praticarem alguns princípios do judaísmo, exercem uma atividade mística muito forte. Os espíritas, dentre os quais, os kardecistas, são essencialmente místicos. Os neopentecostais têm adotado algumas práticas em seus cultos, que em nada diferem dos rituais das escolas de mistério. Os católicos, sejam tradicionais ou da renovação carismática, se aproximam muito da ortodoxia mística, à exceção dos dogmas impostos por alguns papas e antipapas da Igreja de Roma. A Ordem Franciscana é a que mais se aproxima das verdades da Tradição Primordial. Os ortodoxos e anglicanos podem ser identificados com a filosofia grega aliada ao Pensamento Renascentista. O luteranismo e grupos afins são identificados com o Movimento Esotérico, eis que Martinho Lutero teve vivência mística autêntica, como participante numa Escola de Mistério de sua época. No pentecostalismo, destaca-se a figura do inglês John Wesley, um Iniciado, que teve influência direta na fundação do Metodismo, e com sua mãe Susana, deu os primeiros passos para a criação da Escola Dominical. Na subdivisão do pensamento renovador, surgiu em 1910, a Congregação Cristã, com Louis Francescon. A Igreja tem uma forte tendência mística em seus cultos, mantendo-se a ordem e total reverência ao Criador. O conjunto dogmático dessa organização religiosa tem características muito próximas das Organizações Místico-Filosóficas, sejam Rosacruzes ou Maçônicas. Naturalmente que os termos utilizados para a adoração nunca são os mesmos, apenas os termos têm equivalência. E assim, ocorre em todos os segmentos da Espiritualidade no Ocidente, com as devidas variações e a maneira de se chegar ao Trono da Graça Divina. Nesse aspecto, se o buscador prestar atenção, poderá perceber que a essência é a mesma num fervoroso Culto Pentecostal, numa Missa da Renovação Carismática e numa Sessão da Umbanda. As manifestações são praticamente as mesmas, só o que muda são as palavras de comando de seus dirigentes, como a invocação à Divindade, onde cada grupo tem a expressão apropriada para as petições, dentro de suas próprias convicções. Todos, sem distinção, elevam o pensamento a um Deus, segundo a sua crença. Justamente o que pretendia Platão, em sua filosofia no conceito geral do “Deus de nosso Coração”. Então, desde épocas remotas, a Humanidade se distancia de Deus, para se apegar às diferentes crenças, com o objetivo de preencher um vazio, que pode não ser conseguido, ficando a frustração na alma. Tudo se resume nas palavras: “Deus satisfaz plenamente as nossas necessidades, sejam materiais, morais ou espirituais.” A religião não faz isso, mas afasta o homem da Realidade Única, deixando-o em crise permanente e gerando conflitos internos, quando se depara com as guerras religiosas, muito frequentes nas comunidades, em todos os lugares do Planeta. Em nome de Deus, muitas atrocidades já ocorreram, com milhares de vidas sendo ceifadas em muitos países do mundo. São inumeráveis os crimes praticados pelas religiões, desde os primórdios e mesmo em nações civilizadas do tempo moderno.
Até quando, a Humanidade terá a consciência plenamente evoluída?
Quando isso for possível, haverá Novos Céus e Nova Terra, onde os limpos de mãos e puros de coração, poderão cear com o Cordeiro, que é a Luz Maior…








