O verdadeiro patriarca da independência
Joaquim Gonçalves Ledo. Se perguntarmos a um aluno de 1º grau do ensino regular, quem foi o patriarca da Independência, certamente que a resposta será José Bonifácio de Andrada e Silva.
Mas não é o pensamento do historiador Assis Cintra, que tendo se aprofundado no estudo da história da Independência do Brasil, formou opinião de que até o final do ano de 1821, José Bonifácio não queria a Independência, dizendo ser perniciosa ao País, determinando-lhe talvez a desagregação e ainda mais, acredita o historiador que pensando em causa própria, José Bonifácio sabia que se o Brasil se separasse de Portugal ele perderia sua receita anual de 12.000 cruzados, que recebia como abono do Erário Real Português.
Quem foi então o fomentador, o verdadeiro herói, o arquiteto da Independência do Brasil?
Foi Joaquim Gonçalves Ledo.
Gonçalves Ledo, como ficou conhecido, nasceu no Rio de Janeiro em 11 de dezembro de 1781 e revelou desde a infância uma inteligência excepcional. Tal foi sua precocidade que aos 14 anos, depois de fazer refulgir seu talento no curso de Humanidades, almejou ampliar sua cultura em novos ambientes.
Por determinação de seu pai seguiu para a Universidade de Coimbra, a fim de completar o curso secundário, e prosseguir os estudos para se graduar no Curso de Direito. Na Universidade destacou-se não só pelo estudo, mas principalmente por seu espírito liberal e por apresentar idéias renovadoras. Porém com a morte de seu pai, retornou ao Brasil, sendo nomeado oficial-maior da Contadoria do Arsenal de Guerra.
Com as idéias liberais que possuia, agora melhor desenvolvidas, esse nosso irmão capitaneou com obstinação um grupo que desejava um Brasil livre.
Tinha o ideal libertador, com o qual lutou com desassombro em favor da nossa Pátria sem nunca fraquejar, mantendo seu ideal e seu espírito sempre inalterável.
Gonçalves Ledo juntamente com seu amigo o Cônego Januário da Cunha Barbosa fundou o Revérbero Constitucional Fluminense, um jornal político, vibrante, arauto da independência nacional, que desde o 1º exemplar, em 15 de setembro de 1821, angariou merecido e elevado prestígio, mantendo incandescente o patriotismo brasileiro.
A Gonçalves Ledo e Cônego Januário se deve a proclamação do Fico, obtida com documento que continha 8.000 assinaturas, forçando D. Pedro a ficar no Brasil. Desta forma, podemos então afirmar que a 9 de janeiro de 1822, o dia do Fico, marcou o início de nossa emancipação política, quando D. Pedro se rebelou contra a corte de Lisboa.
Nos fatos que se sucedem, sempre está presente o dedo de gigante de Gonçalves Ledo, que aparece tanto na redação dos documentos importantes, quanto na inspiração e na própria concretização dos fatos. Podemos citar, entre tantos outros, que além da declaração do Fico, Gonçalves Ledo, participou de eventos como o que deram a Dom Pedro, pela maçonaria, o título de Defensor Perpétuo do Brasil, a convocação da constituinte, e na data de 1º de agosto de 1822, o célebre manifesto de D. Pedro aconselhando à união, que no seu início tem a célebre frase: “Brasileiros! Está acabando o tempo de enganar os homens”, também foi redigido por Gonçalves Ledo.
Porém, o feito mais importante de Gonçalves Ledo, como consta no livro de Atas do G.: O.: B.:, foi no dia 20 de agosto de 1822. Nesta data foram convocados os maçons membros das três lojas metropolitanas em uma sessão extraordinária, presidida por Gonçalves Ledo, primeiro Grande Vigilante, devido ao impedimento do Grão Mestre José Bonifácio. Nesta oportunidade proferiu veemente discurso, demonstrando com sólidas razões, que as circunstâncias políticas da pátria demandavam e exigiam imperiosamente que fosse proclamada a independência do Brasil.
E explicou ainda da necessidade de sua moção ser amplamente discutida, para que aqueles que pudessem ainda ter receio de que fosse precipitada ficassem convencidos, através do debate, de que a proclamação da independência era a âncora da salvação do Brasil. Como consequência de sua alocução, dando a palavra a quem quisesse especificar seus sentimentos, falaram vários membros manifestando-se todos favoráveis a aprovação da moção, reconhecendo a necessidade imperiosa de se fazer a independência do Brasil.
O historiador João Dornas, em seu livro “Os Andradas na História do Brasil”, narra um fato marcante, que é a ausência nas reuniões maçônicas, do Grão Mestre José Bonifácio, pois segundo o autor, José Bonifácio não queria se comprometer, este fato encontra respaldo na quantidade de sessões presididas por Bonifácio, quatro, enquanto Joaquim Gonçalves Ledo, na qualidade de primeiro Grande Vigilante havia presidido 12.
Não paira qualquer dúvida e nem pode ser contestado que a Independência do Brasil foi decidida e proclamada no seio da maçonaria e sua proclamação ocorreu em 20 de agosto de 1822, no G.: O.: B.:.
O grito de independência às margens do Ipiranga foi tão somente a ratificação desta proclamação, num ato público, e este fato só ocorreu, porque D. Pedro contava com o apoio integral da maçonaria, tendo o mesmo reconhecido que a maçonaria estava apta a proclamar por si só a nossa emancipação.
Vemos então meus irmãos que esse glorioso fluminense, nosso irmão Gonçalves Ledo, ainda não recebeu a gratidão de seus patrícios pelos seus serviços prestados à causa da nossa liberdade.
Enquanto D. Pedro I e José Bonifácio têm estátuas de veneração pública, o patriota Joaquim Gonçalves Ledo não é lembrado nem pelos seus conterrâneos do Estado do Rio de Janeiro, jaz no mais injusto esquecimento, embora não possamos negar que devemos a ele a preparação da maçonaria para a luta política, cujo resultado vimos a 7 de setembro de 1822.
Meus irmãos, temos portanto fortes e justos motivos para considerar nosso irmão Joaquim Gonçalves Ledo, o Verdadeiro Patriarca da Independência.
Cabe-nos agora uma reflexão, Gonçalves Ledo e nossos irmãos do passado fizeram a independência política do Brasil, assim como Deodoro da Fonseca e outros a aperfeiçoaram com a proclamação da república, e hoje o que a maçonaria pode fazer para a verdadeira e completa independência do povo brasileiro ?







