O BALANDRAU
Espécie de opa ou beca com mangas, o Balandrau é fechado até o pescoço e tem seu cumprimento até o tornozelo, não dispensando o uso de sapatos pretos, sendo confeccionado de tecido preto que pode variar de acordo com o clima. O Balandrau é usado por certas irmandades em atos religiosos, tendo sido adotado como vestuário pelos IIr.’. de várias Lojas do Brasil.
O Balandrau do Ir.’. Experto, é munido de uma capa ou mantelete e de um largo capuz, a fim de não ser reconhecido pelos profanos antes de receberem a iniciação maçônica (apesar que, nos dias atuais, usa-se um capuz avulso já com os buracos dos olhos e boca, em substituição ao capuz do Balandrau).
O uso do Balandrau, segundo parece, é uma peculiaridade da Maçonaria Brasileira, pois nenhum autor ou dicionarista maçônico, fora do Brasil, refere-se a ele como indumentária maçônica. O seu uso remonta à última metade do século XIX, tendo sido introduzido na Maçonaria pelos IIr.’. que faziam parte, ao mesmo tempo, de irmandades católicas e de Lojas Maçônicas, IIr.’. estes que foram o pivô da famigerada “Questão Religiosa”, suscitada no Brasil em 1.872. Inicialmente foi usado nas iniciações ao Grau de Apr.’., pelos EExp.’. e pelo Ir.’. Terr.’. e nas cerimônias de Exaltação, que exigem traje negro, generalizando-se depois, seu uso em todas as sessões.
Sua adoção se deve também como substituto barato e confortável do traje a rigor preto, exigido nas cerimônias maçônicas, que é o smoking com gravata borboleta e luvas brancas, costume trazido da Europa. O Balandrau tem a vantagem de poder ser confeccionado com qualquer tecido leve e barato, o que, além de não ser dispendioso, permite suportar, em tempos de canícula, altas temperaturas em recintos fechados. Estas razões ponderáveis o fizeram ser adotado por muitas lojas no Brasil, e o seu uso não foi objeto de qualquer objeção por parte das altas autoridades maçônicas de todas as Obediências.
Vale lembrar que nem o Balandrau e tampouco o terno preto são trajes maçônicos. Estes são apenas uma padronização adotada pelas Obediências, já que traje maçônico mesmo é o Avental. Sem ele nenhum Ir.’. pode ingressar no templo.
(Weber Varrasquim)







