A insignificância da pessoa só
Em dado momento o homem pediu-lhe para ver suas mãos – lisas e delicadas -, próprias de um estudante que nunca havia trabalhado e perguntou-lhe se já havia olhado para as mãos de seus pais. O jovem explicou então que não possuía pai há muitos anos, que falecera quando tinha apenas um ano e que sua mãe o criara – e aos outros três irmãos que ainda estudavam -, lavando roupas de terceiros, mas que realmente nunca havia olhado para suas mãos.
Perguntado se já a ajudara em sua tarefa o rapaz disse que ela nunca o permitira, dizendo que queria que ele estudasse bastante e que um dia fosse um “doutor”. Foi então aconselhado a fazer isso e voltar no outro dia para continuarem com a entrevista.
Ao solicitar isso, causou curiosidade em sua mãe que, constrangida, deu-lhe as mãos ásperas, calejadas e com várias cicatrizes para que fossem vistas e lavadas. Observando aquelas mãos feridas e em certos pontos doloridas até pelo simples contato com a água que a limpava, o jovem chorou e, pedindo perdão, agradeceu tudo o que a mãe havia lhe proporcionado com seu sacrifício.
Ao voltar no dia seguinte e contar ao diretor que aprendera o que provavelmente seria a maior lição de sua vida, assumiu o emprego desejado, ouvindo de seu chefe o conselho, de nunca se esquecer de valorizar aqueles que trabalhavam para ele, pois sem eles nunca seria ninguém e que jamais teria sequer uma camisa limpa e bem passada para ir trabalhar, sem o sacrifício de alguém.
Quantas vezes passamos pelas pessoas sem sequer observá-las? Quando dizemos ao ascensorista do elevador que nos transporta algo além do andar para onde queremos ir ou além do prato que desejamos para um garçom, mais que um bom dia ou boa tarde ao porteiro do prédio onde moramos ou trabalhamos e cumprimentamos um gari por quem passamos, mesmo sabendo que sem eles não poderíamos viver em comunidade e que tudo estaria apodrecendo e fétido à nossa volta?
Nem mesmo as mais modernas tecnologias são capazes de alterar nossa dependência de outras pessoas – que muitas vezes sofrem por nós -, pois diferente da maioria dos animais, o ser humano já nasce precisando de alguém que amarre e corte seu cordão umbilical, que o agasalhe e amamente ou sequer sobreviveria.
(João Bosco Leal www.joaoboscoleal.com.br)









