O Preço da Liberdade
Não existe qualquer lei no mundo que possa declarar um homem livre, por mais que seja ele um pensador livre ou alguém que desfrute de uma liberalidade acima da média. Se o próprio homem não estiver disposto a bater-se pela liberdade que tanto quer, ele jamais poderá tornar-se livre. A liberdade não se encontra em qualquer esquina da vida; conquista-se, merece-se e alcança-se por si próprio e individualmente, com todos os riscos e perdas, e não a coberto da proteção fácil das multidões ou das regras meramente humanas.
A grande mentira em que vive a humanidade nos últimos anos é a de ter acreditado, ou fingido acreditar, que todos éramos pela liberdade. Os homens, quase todos, não são totalmente livres, e nem mesmo os jornalistas podem ser livres para expressar o que pretendem em seus textos. Precisa obedecer a uma ordem expressa do chefe de redação ou de seu editor para cumprir a pauta.
Nenhum intelectual é livre, como gostaria de ser. Ele também depende da vontade de outrem que pode lhe proporcionar boas oportunidades para os negócios que lhe dizem respeito. Por sua vez, os empresários também não são livres. Eles dependem de subsídios, das isenções fiscais e da atenção do governo nos concursos públicos. Os advogados de sucesso também não desfrutam da liberdade como bem queriam. Para exercer o direito submetem-se a consultorias diversas e do tráfico de influências entre os negócios, o poder e o patrocínio.
Então, quem realmente pode ser livre neste Sistema de Coisas? A grande verdade é que existem poucos homens livres, totalmente livres. Ser livre é a vontade de todas as pessoas, desde os mais humildes aos poderosos, mas existe um preço a ser pago pela liberdade a que todos temos direito de desfrutar. Se for pelo critério de cidadania, há muito ainda que avançar, pois a verdadeira liberdade está muito longe de ser alcançada. É necessário, portanto, que a liberdade seja classificada, de acordo com o nível de cada pessoa, pela importância que tenha na sociedade organizada.









