Deprecated: Using null as an array offset is deprecated, use an empty string instead in /home/topcined/www.recantodoescritor.com.br/wp-includes/class-wp-block-type-registry.php on line 168
Deprecated: Using null as an array offset is deprecated, use an empty string instead in /home/topcined/www.recantodoescritor.com.br/wp-includes/class-wp-block-type-registry.php on line 168
Deprecated: Using null as an array offset is deprecated, use an empty string instead in /home/topcined/www.recantodoescritor.com.br/wp-includes/class-wp-block-type-registry.php on line 168
Deprecated: Using null as an array offset is deprecated, use an empty string instead in /home/topcined/www.recantodoescritor.com.br/wp-includes/class-wp-block-type-registry.php on line 168
Deprecated: Using null as an array offset is deprecated, use an empty string instead in /home/topcined/www.recantodoescritor.com.br/wp-includes/class-wp-block.php on line 295
Deprecated: Using null as an array offset is deprecated, use an empty string instead in /home/topcined/www.recantodoescritor.com.br/wp-includes/class-wp-block-type-registry.php on line 168
Deprecated: Using null as an array offset is deprecated, use an empty string instead in /home/topcined/www.recantodoescritor.com.br/wp-includes/class-wp-block-type-registry.php on line 168
Deprecated: Using null as an array offset is deprecated, use an empty string instead in /home/topcined/www.recantodoescritor.com.br/wp-includes/class-wp-block-type-registry.php on line 168
Deprecated: Using null as an array offset is deprecated, use an empty string instead in /home/topcined/www.recantodoescritor.com.br/wp-includes/class-wp-block-type-registry.php on line 168
Deprecated: Using null as an array offset is deprecated, use an empty string instead in /home/topcined/www.recantodoescritor.com.br/wp-includes/class-wp-block-type-registry.php on line 168
De Volta à
Realidade
O corpo exausto, o pensamento cansado, meu raciocínio
pedindo demissão e a insônia me fazendo de vítima mais uma noite. Uma madrugada
reticente, agoniada. As horas que passavam, pareciam não passar. (…) Viajei
pelo espaço sideral, visitei satélites, fui a lugares onde as palavras não
alcançam e até a lugares onde só a imaginação consegue ir. Solta como quem
possui asas. Sem termo, sem limite, tudo ao acaso e sem pretensão de volta à
realidade. Sonho ou fantasia? Sei eu! Aos poucos, as estrelas foram perdendo o
brilho e sumindo do céu uma por uma. A lua deu bom-dia ao sol enquanto dezenas
de passarinhos alvoroçados vieram até minha janela contar-me seus sonhos e
avisar que mais um dia raiou. Só então, depois de sonhar acordada, acordei
sonhando. (Ismara Alice).
A
missão de reconhecimento do Juruá findou, a 17 de fevereiro, mas, só agora, me
sinto a vontade para arvorar remos. Cheguei à foz do Juruá 44 dias depois de
partir de Cruzeiro do Sul, AC, havíamos remado freneticamente durante 28 dias e
desfrutado do conforto das cidades de Ipixúna, Eirunepé, Itamarati, Cararuari e
Juruá, onde, graças às autoridades municipais e à Polícia Militar, pernoitamos
em hotéis durante 16 dias recuperando-nos do excessivo desgaste, coletando
novas informações e repercutindo-as. Conseguimos manter uma média diária de
mais de 90 km, mas, a um alto custo, perdi 12 quilos neste difícil percurso,
perdendo mais de 0,4 quilos por dia de remo em decorrência não só do esforço
físico, mas, sobretudo, pela alimentação inadequada e disenterias.
As
curtas passagens por Manaus, AM, Santarém, PA e Natal, RN, serviram para
trazer-me, progressivamente, de volta à realidade. Uma realidade mesclada de
alegrias e tristezas, de júbilo por ter conseguido, apesar das dificuldades
impostas pela logística, terreno, clima e condições meteorológicas, cumprir
todas as metas propostas no mais curto espaço de tempo e amargura de verificar
que alguns companheiros colocavam em cheque ou escarneciam do trabalho que
havíamos executado. Alegria por ter sido recepcionado em Tefé como um
bandeirante do século XXI, com direito à escolta fluvial, foguetório e banda de
música, alegria de encontrar na figura do Gen de Bda Paulo Sérgio, comandante
da 16ª Bda Sl, uma liderança atuante capaz de conduzir seus homens pelo exemplo
e pelo dinamismo como nossos grandes chefes militares do passado. Tristeza de
verificar, que em Manaus, a quantidade de representantes da imprensa era
muitíssimo maior do que o número de companheiros de arma presentes na nossa
chegada, considerando que a expedição era uma missão oficial do Comando Militar
da Amazônia. Alegria de ter sido recebido pelo 2° Grupamento de Engenharia,
Manaus, AM e pelo 8º BEC, Santarém, PA, com a cordialidade e o carinho tão
característico dos discípulos de Vilagran. Alegria por reencontrar, em Porto
Alegre, os familiares, amigas e velhos amigos, mas, uma profunda tristeza por
reencontrar minha esposa encarcerada ao catre e presa a uma carcaça martirizada
pela enfermidade. Alegria de ser abraçado carinhosamente por meus ex-alunos e
tristeza em verificar que o valor do contra-cheque continua sendo muito
inferior às despesas mensais.
–
Chegada em Porto Alegre, RS (24.03.2013)
Pousamos,
no Aeroporto Salgado Filho, pontualmente à 09h35. Fiquei surpreso ao constatar
que apenas a Rosângela e sua mãe, D.a Maria (a mama de Bagé), e o
Cel Angonese e esposa S.ra Eliana lá estavam para me recepcionar,
afinal eu estivera ausente por quase 4 meses. O fato de não encontrar nenhum
familiar no aeroporto me entristeceu. O Angonese convidou-nos para almoçar no
Grelhatus, eu não podia declinar do convite do caro parceiro, que nos
acompanhara, a remo, no trecho da Foz do Breu até Cruzeiro do Sul. Fomos até em
casa, tomei um banho para espantar o sono, passara a noite em claro e,
pontualmente ao meio-dia, nos dirigimos ao restaurante acompanhados da Vanessa
e do João Paulo.
A
Rosângela estacionou o carro numa rua lateral onde encontramos o Coronel
Regadas, achei estranha a coincidência e só me dei conta de que havia uma “trama” em andamento quando
topei com o Coronel Araújo na função de Mestre de Cerimônias na frente do
Grelhatus. Havia duas enormes mesas reservadas para os familiares e amigos mais
diletos, a indignação de antes cedeu lugar a emoção que mexeu com o coração e a
alma deste velho soldado. Consegui manter heroicamente o equilíbrio emocional
até chegar o caro amigo Pastl, D.a Ana Claci e seus filhos Guilherme
e Emanuel que se recuperaram bravamente dos ferimentos causados pelo incêndio
da boate Kiss, de Santa Maria, RS. Não consegui conter a emoção e chorei como
criança.
De
cada cidade do Juruá eu ligara para saber notícias dos meninos e acompanhara a
par e passo a evolução de seu estado. Ter, agora, a oportunidade de abraçar
meus ex-alunos e seus queridos pais fez com que eu afrouxasse a couraça
espartana que tenho carregado desde o AVC de minha esposa. A Rosângela e o
Araújo souberam guardar segredo, eu não imaginara, jamais, tal surpresa.
–
Tapajós
tentando viabilizar, para setembro deste ano, o reconhecimento do Rio Purus
para dar continuidade à história do Acre tão vinculada aos Rios Purus e Juruá.
Caso não se concretize esta possibilidade vamos percorrer o Rio Tapajós,
partindo de Santarém, a remo, pela margem esquerda até Itaituba, de voadeira até
Jacareacanga e daí descendo pela margem direita, de caiaque, até Santarém.
–
Livro do Juruá
dias depois da chegada e de tomadas algumas providências administrativas
iniciamos o lançamento dos dados coletados nos mapas que posteriormente
entregaremos ao DNIT. O professor Sérgio Pedrinho Minúscoli entregou-me o livro
“Descendo o Madeira”
totalmente revisado fazendo-me abandonar os trabalhos do Juruá,
temporariamente, para finalizar a 4ª etapa do Projeto Desafiando o Rio-mar.
(Hiram Reis e Silva, Porto Alegre, RS,
03 de abril de 2013)









