Fui ao jardim apenas para chorar,
sentindo no peito imensa saudade.
As lágrimas caíam sem parar,
Ele me falava da Eternidade.
Como voz de anjo me dizia,
“Papai, fique na paz, tenha alegria!”
me consolando de verdade.
Meu filho, tão amado e companheiro,
segurava a minha mão com amor.
O mistério ali era revelado:
no Jardim, apesar de tanta dor.
Ninguém pode entender o sofrimento,
o diálogo num doce momento:
Deus permitiu esse favor!
Já era tarde, o dia ia declinando,
véspera de Natal, a alma sente a ausência.
Mas, como não existe morte,
o Cósmico manifesta a sua clemência:
com o filho fico a sós ali no Jardim,
doces palavras ele balbucia para mim;
o Absoluto age pela Sua Onisciência.
Não tem como segurar o pranto,
diante de um quadro tão especial;
se aproxima de mim ali no canto
acena e vem com sorriso angelical.
Fica em meu ser a boa lembrança,
de quando ele ainda era criança,
nas memoráveis noites de Natal!
Jairo de Lima Alves
24 de dezembro 2017








