Eu não quero ir embora,
meu filho quer que eu vá!
Aprendi amar esta terra,
não sou mais do Paraná!
Vou morar com uma filha;
ela me ama, eu sustento!
Mas eu amo Mundo Novo,
é a causa de meu lamento.
Meus amigos estão aqui,
não quero ir, eu não quero!
minha casa aqui está ficando:
meus netos que tanto venero!
Hoje me acho tão sozinho,
não vive mais minha amada!
Só me resta agora a solidão,
sinto minha alma amargurada.
Assim, talvez não vou resistir,
no peito é forte a saudade!…
deixo tudo, enfim, nesta vida
prá morar com ela na eternidade.
Jairo de Lima Alves – 22.04.2018
À memória de Antônio Hermoso, que viveu seus últimos dias, contra a sua vontade em Jesuítas, no Estado do Paraná.
Esta é uma história real, presenciada por este poeta. No momento de ir embora, enquanto arrumava a mudança, o homem chorava muito, ao contemplar sua casa que ficava em Mundo Novo. Chorei com ele naquela tarde, quando falava de sua imensa tristeza, ao deixar para trás tudo o que amava, sem nada poder fazer, em virtude da idade já avançada. Apenas dirigi-lhe algumas palavras de conforto, antes de embarcar rumo a Jesuítas.








