Novamente, uma série de sete é interrompida por um intervalo. Entre o sexto e o sétimo selos, houve um intervalo para assegurar os fiéis da proteção divina. Agora, entre a sexta e a sétima trombetas, Deus oferece outras mensagens de consolação aos Seus servos numa série de cenas durante um intervalo.
Vi outro anjo forte descendo do céu, envolto em nuvem, com o arco-íris por cima de sua cabeça; o rosto era como o sol, e as pernas, como colunas de fogo; três anjos fortes aparecem no Apocalipse. O primeiro procurou alguém para abrir o livro que estava na mão direita de Deus. O terceiro anunciará, com um gesto dramático, a queda da Babilônia. O segundo, desce com a glória do céu trazendo um livrinho aberto e as vozes dos sete trovões.
Alguns comentaristas acreditam que este anjo forte seja o próprio Jesus, pois algumas características nos lembram a descrição do Mestre. Embora não haja provas desta interpretação, claramente o anjo forte vem do céu, com a glória celestial e traz a revelação de Deus. Desde a primeira vez que nuvens aparecem na Bíblia; há uma forte ligação entre elas e as demonstrações da glória e poder de Deus. Nuvens são citadas mais de cem vezes no Velho Testamento, frequentemente em relação a aparições de Deus ou demonstrações do poder de Deus.
A grande maioria dos mais de 20 versículos no Novo Testamento que usam a expressão, se refere a Deus ou à manifestação de sua glória ou poder. No monte da transfiguração, “Falava Ele ainda, quando uma nuvem luminosa os envolveu; e eis, vindo da nuvem, uma voz que dizia: Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo; a Ele ouvi”. Quando Jesus profetizou a destruição de Jerusalém pelos romanos, Ele disse: “Então, aparecerá no céu o sinal do Filho do Homem; todos os povos da Terra se lamentarão e verão o Filho do Homem vindo sobre as nuvens do céu, com poder e muita glória”. Quando Jesus avisou o Sinédrio sobre o iminente julgamento dos judeus rebeldes, Ele usou linguagem semelhante: “Eu vos declaro que, desde agora, vereis o Filho do Homem assentado à direita do Todo-Poderoso e vindo sobre as nuvens do céu”. Os fiéis encontrarão Jesus nas nuvens”.
O Apocalipse abre com a aparição divina nas nuvens: “Eis que vem com as nuvens, e todo olho O verá, até quantos o traspassaram. E todas as tribos da Terra se lamentarão sobre Ele. Os outros aspectos da aparição deste anjo forte reforçam a origem celestial da sua mensagem: com o arco-íris por cima de sua cabeça! Deus usou o arco-íris para selar a Sua aliança com os homens depois do dilúvio. Na visão de João do trono de Deus, houve um arco-íris ao redor do trono. O rosto era como o sol, a luz brilhante da glória de Deus. A luz da presença de Deus é mais forte do que o próprio sol. O brilho do sol é refletido nos servos do Senhor. “Então, os justos resplandecerão como o sol, no reino de Seu Pai”.
Tinha na mão um livrinho aberto. Pôs o pé direito sobre o mar e o esquerdo, sobre a Terra. Vamos ver o significado deste livrinho. Este é um livrinho, mas Jesus recebeu um livro maior da mão de Deus. O livrinho está na mão do anjo que desceu do céu, não na mão de Deus no trono. O livrinho está aberto e, assim, não precisa de uma pessoa para abri-lo; o livro estava selado com sete selos e podia ser aberto somente pelo Leão/Cordeiro. Pôs o pé direito sobre o mar e o esquerdo, sobre a Terra. Imagine o tamanho e o poder deste anjo forte! Pode colocar os pés sobre a Terra e o mar, assim mostrando domínio sobre o mundo inteiro. Daqui a pouco, bestas vão subir do mar e da Terra. Antes de ver esses servos do diabo emergirem, Deus nos lembra que o anjo dEle tem poder superior a toda a força do mal. O anjo forte fez sua proclamação em grande voz. O segundo anjo forte, também, tem voz forte, como a de leão. O leão claramente representa a força da voz deste anjo. O leão, o mais forte entre os animais, que por ninguém torna atrás.
Desferiram os sete trovões as suas próprias vozes. Mais uma série de sete – os sete trovões. Com toda a força da voz que vem do céu, eles proclamam mais uma parte da vontade de Deus. Por diversas vezes nas Escrituras, trovões acompanham os castigos enviados por Deus. A sétima praga no Egito incluiu trovões, chuva de pedras e fogo.
Logo que falaram os sete trovões, eu ia escrever. Obediente às instruções recebidas no início do livro, João prepara-se para relatar as mensagens dos sete trovões. Ouvi uma voz do céu, dizendo: “guarda em segredo as coisas que os sete trovões falaram.” A voz vem do céu, e João é obrigado a obedecê-la – Não escreva as coisas que os trovões falaram. Num livro com o propósito de revelar, por que guardar em segredo as mensagens que Deus enviou nos trovões? Pelo menos, dois motivos: Deus não revela tudo aos homens, e não teríamos a capacidade de compreender todos os pensamentos sublimes de Deus. Quando se trata da proteção dos fiéis, Deus faz muito mais do que Ele mostra ao homem. De vez em quando, Ele abre a cortina para revelar alguma batalha nas regiões celestiais, para nos confortar com o fato de Ele estar constantemente lutando a favor dos servos.
O anjo que vi em pé sobre o mar e sobre a Terra levantou a mão direita para o céu e jurou por aquEle que vive pelos séculos dos séculos, o mesmo que criou o céu, a Terra, o mar e tudo quanto neles existe. Nos dias da voz do sétimo anjo, quando ele estiver para tocar a trombeta, cumprir-se-á, então, o mistério de Deus, segundo Ele anunciou aos seus servos, os profetas.
A palavra mistério, na Bíblia, refere-se a coisas ocultas, frequentemente à palavra de Deus outrora oculta e agora revelada. No Velho Testamento, o único livro que usa a palavra mistério é Daniel. A palavra aparece mais uma vez, em Daniel 4:9. A grande maioria das ocorrências desta palavra no Novo Testamento fala do evangelho de Jesus. Paulo disse: “Ora, àquele que é poderoso para vos confirmar segundo o meu evangelho e a pregação de Jesus Cristo, conforme a revelação do mistério guardado em silêncio nos tempos eternos.”
No Apocalipse, “mistério” refere-se a aspectos das visões explicados a João. O cumprimento do mistério de Deus, então, seria relacionado à divulgação do evangelho para salvar judeus e gentios, e ao estabelecimento do domínio de Jesus sobre as nações. Deus anunciou estes planos aos profetas. Não devemos descontar a importância de profecias do Velho Testamento na interpretação do mistério revelado no Apocalipse.
Antes de ouvir a sétima trombeta, ainda precisamos ver o resto das coisas que João viu no intervalo. A voz que ouvi, vinda do céu, estava de novo falando comigo e dizendo: “Vai e toma o livro que se acha aberto na mão do anjo em pé sobre o mar e sobre a Terra. A primeira vez, esta voz proibiu que João escrevesse sobre os sete trovões. Desta vez, ela lhe dará outra instrução. A narrativa destaca a posição deste anjo. Muito diferente do anjo caído do céu que abriu o poço do abismo, este anjo tem seus pés firmemente plantados sobre a Terra e o mar. A estrela caída do céu dominou os gafanhotos durante cinco meses. O anjo forte pode garantir o cumprimento do plano de Deus. O anjo disse a João sobre o livrinho: “toma-o e devora-o”: ele será amargo ao teu estômago, mas na tua boca, doce como mel. João foi obediente à voz do anjo e comeu o livrinho. O livrinho foi amargo, exatamente como o anjo dissera. O trabalho no reino de Deus envolve esses dois aspectos. Traz uma grande alegria quando presenciamos as transformações de vidas que o evangelho causa. Por outro lado, o servo fiel tem a obrigação de avisar sobre as consequências da rejeição da palavra e sobre a punição preparada para os desobedientes. Deus é santo, e assim, não pode manter comunhão com a desobediência.
João é obrigado a profetizar sobre nações e reis. Já falou sobre pragas e castigos, atingindo um número cada vez maior de pessoas, até causando a morte de grandes multidões. Mas tem mais pela frente. A difícil missão de João incluirá profecias sobre muitos povos.
O intervalo entre a sexta e a sétima trombetas enfatiza vários fatos importantes. Entre eles: Deus e Seus servos sempre são mais fortes do que o inimigo e seus seguidores. O anjo forte do Senhor tem poder sobre a Terra e o mar, enquanto o destruidor recebeu autoridade por alguns meses sobre os gafanhotos. Deus faz muito mais do que Ele revela aos seus servos. Os sete trovões servem como exemplo. A sétima trombeta anunciaria o cumprimento do mistério de Deus. A missão do servo de Deus tem seu lado doce, mas também a amargura de pregar a pessoas condenadas por sua rebeldia.








