O Ermitão
Zadig, diz prá mim agora: o que sentes?
Enclausurado, desde a babilônia, muito só…
Contemplas o céu ao longe, ranges os dentes
Estás lendo o livro do destino, na garganta um nó.
Essa é a tua filosofia de vida? o que mais?
Tanta miséria, que não suportas tamanha dor!
Viajando a pé, conhecendo o mundo de seus pais…
Eras rico e mui formoso, repleto de tanto amor!…
Poliglota tu és, línguas de anjos podes falar!
às margens desse sagrado rio vives a meditar…
Barba branca como a neve, quero muito te honrar
Que Deus permita, sempre aqui te encontrar…
Segues caminhando, vejo em ti a bela aparência…
és venerável dentre todas as santas criaturas!
A tua saudação, símbolo da divina providência…
Em meio a tantos contrastes, as farturas…
O ermitão, sisudo, e com palavras de maestria…
Preso à promessa, sem ostentar qualquer vaidade,
Erguendo o pergaminho, responde com alegria:
– minha missão aqui é expressar a voz da verdade.
31.12.2007 – Jairo de Lima Alves









