Desarmamento Energético
A estratégia de comunicação de qualquer empresa é algo que pode ajudar ou atrapalhar os seus clientes. Qualquer “freguês” poderá tomar mais ou menos cuidados, dependendo dos alertas que tiver ao aceitar o produto oferecido. A indústria farmacêutica, por exemplo, ainda que em bulas e letras de difícil compreensão, traz as contra indicações de seus remédios. Ótimo, ainda que precário diante do que poderia ser.
Na vida comum temos a lógica do desarmamento, da não reação. Não lute, não tenha armas, não faça nada. Compreende-se essa postura, pois a tentação de enfrentar os bandidos poderá custar muito caro. É algo questionável, contudo, vivendo-se num país tão cheio de criminosos. Talvez valesse a pena andar armado e disposto a lutar.
Os serviços essenciais têm qualidades e custos que mudam conforme o lugar e o tempo. Como a própria adjetivação diz, sendo essenciais podem significar a sobrevivência ou não de pessoas e empresas. Na água encanada poderemos estar recebendo soluções com traços de agrotóxicos, hormônios femininos (a utilização de pílulas talvez esteja contaminando os rios), remédios e sujeiras que mereceriam análises mais detalhadas e de conhecimento público. Nada mais correto do que sermos informados da probabilidade de acidentes e tarifas maiores. No caso da energia elétrica teremos custos maiores se as soluções se tornarem emergenciais.
Devemos também conhecer as hipóteses assumidas e o nível de atendimento das concessionárias. Temos (pois, sendo concessionárias, esses arquivos são nossos) informações estatísticas nos arquivos das empresas e essas companhias poderiam enriquecer seus serviços dizendo-nos qual é a expectativa de atendimento no local em que vivemos, trabalhamos, divertimo-nos etc.
Nosso país poderá crescer muito, apesar dos esforços para travá-lo. A infra-estrutura tem limitações que até os jornais estrangeiros estão dizendo. Não seria justo um padrão de comunicação honesto, sincero e científico dizendo-nos onde, quando, quanto e como teremos problemas?
A estrela do atual governo, que completará dois anos de existência, é o planejamento. Provavelmente já deverá ter formado suas equipes de estudos e esses trabalhos devem estar adiantados. Seria extremamente positivo se, com tudo isso, o Governo adotasse uma estratégia de comunicação técnica dizendo-nos com a precisão que fosse capaz quais os riscos (probabilidade de falha, de custos e qualidade) que teremos nos serviços delegados. Seria também importante que essa postura fosse adotada em todos os níveis de Poder pois, dependendo da atividade, o Poder Concedente será o federal, estadual ou municipal.
O Ministério Público e o Poder Judiciário seriam uma maneira de se pressionar nossas autoridades. Alguma lei precisaria estabelecer punições severas contra a desinformação, a comunicação propositadamente mal feita, errada. Precisamos saber onde estaremos para podermos nos defender.
No Setor Elétrico há como dizer com detalhes o perigo de ficarmos sem energia, é possível avaliar a qualidade e confiabilidade assim como qual será a tarifa provável. Note-se que o custo da energia elétrica poderá crescer se formos obrigados a utilizar fontes mais caras. Temos instrumentos de avaliação de qualidade de atendimento e as empresas concessionárias e a ANEEL devem possuir excelentes bancos de dados.
Por quê não se adotar a sinceridade e a comunicação sistemática dos riscos de não atendimento e perspectivas de qualidade e preço com detalhes matemáticos?
Temos os relatórios do ONS no site dessa entidade. Ótimo, que belo exemplo! Eles poderiam ser desdobrados pelas empresas com informações mais precisas em suas áreas de atuação. O pessoal de comunicação saberia encontrar formas de compreensão mais fácil e eficiente.
Tendo informações dos diversos riscos de atendimento, o empresário e até os cidadãos comuns (fazendo estoque de velas, por exemplo) poderão tomar providências, acautelarem-se diante de expectativas ruins. Quanto mais cedo souberem das dificuldades, melhor. Na Bíblia temos o exemplo da previsão dos 7 anos de boas colheitas e dos 7 anos de “vacas magras” no Egito, quando, graças a um profeta judeu, os egípcios conseguiram sobreviver. O faraó aproveitou as informações desse especialista em planejamento para encher seus armazéns com alimentos. O exemplo ruim também foi dado por outro faraó mais irresponsável, graças a quem as 7 pragas mataram muita gente.
Precisamos conhecer com mais detalhes os níveis de risco e qualidade no atendimento energético. É ruim vermos autoridades respeitadas “desarmando” o povo. Os alertas, quando feitos de forma precisa e inteligente, evitam prejuízos maiores e engrandecem o Governo… (João Carlos Cascaes)







