HOMENS DE PRETO
Há pouco tempo, ainda no mundo profano, passei por inúmeras decepções, dentre as quais as que eu mais abomino, a falsidade, inveja, traição, cinismo e dissimulação.
Quando ingressei na Arte Real, a Arte das Artes, tinha em meus sonhos um monte de ilusões, pois como profano, a maçonaria era para mim um mundo onde tudo corria na mais perfeita harmonia e ordem, os homens maçons eram encarados por mim como verdadeiros deuses.
Homens de Preto, sinônimo de Lealdade, companheirismo, solidariedade.
Que inocência a minha…… vejo hoje após algum tempo convivendo entre os Livres e de Bons Costumes que eu estava redondamente enganado.
Quando veio o meu Aumento de Salário eu não cabia dentro de mim de tanta alegria, era eu agora o Companheiro Maçom. O mundo para mim tinha tomado novas formas, novas cores, era exatamente o mundo que eu imaginava….o mundo dos Maçons, Homens de Preto. Um mundo de homens amigos, irmãos de fato, solidários, fraternos, leais, como os que eu imaginara.
Quando novamente veio outro Aumento de Salário, determinado pelo Segundo Vigilante, aí sim, parecia que o mundo todo estava me parabenizando por ter chegado lá, pois conforme disse o segundo Vigilante eu já estava pronto para ser exaltado a condição de Mestre Maçom. Não pedi, fui exaltado porque me foi dito que eu já era merecedor .
Comecei então a participar de conversas que até então não me eram permitidas, comecei a me inteirar dos assuntos mais graves da Ordem, comecei a participar de decisões, passei a ministrar ensinamentos e na condição de Mestre Maçom me dediquei incansavelmente e mais ainda aos estudos, ao firme ideal de conhecer a maçonaria a fundo para não decepcionar os que investiram em mim.
Saber era preciso, atras de mim vinha uma quantidade enorme de aprendizes, Companheiros Maçons. Sentia a necessidade de saber para poder ajudar os que iriam e estavam passando pelos caminhos que já havia trilhado, tudo estava caminhando na mais perfeita ordem.
Conforme o tempo ia me mostrando, eu tentava adivinhar e vislumbrar o próximo grau, o próximo passo e confesso, acertei na maioria das minhas previsões, com raras exceções, as coisas correram como o previsto.
Somente uma coisa não pude prever, e não consigo compreender, até porque ainda estou a desbastar a minha pedra bruta (talvez seja por isso).
Porque entre os Livres e de Bons Costumes, permanecem ainda os Homens de Preto? Falsos, cínicos, traiçoeiros, invejosos, dissimulados…. desonestos?
Quando digo que não consigo compreender, é por que desta forma eu tento sufocar ou talvez até disfarçar, o que na verdade já sei.
Como é que vocês meus Caríssimos e Amados IIr.’. Livres e de Bons Costumes conseguem conviver e sobreviver ao lado destes homens, e o que é pior ainda, sorrirem para estes Homens de Preto?
Não me venham com desculpas esfarrapadas tais quais; “a Ordem ensina que devemos ser tolerantes”, dentre outras demonstrações de omissão, ignorância e covardia!
A Ordem ensina sim, que devemos ser solidários com nossos IIr.’. desde que eles estejam agindo de forma correta, não devemos ser coniventes, existe aí uma diferença.
Onde estão os homens Livres e de Bons Costumes? Onde estão os MM.’.MM.’., os MM.’.II.’., os IIr.’. que já trilharam os caminhos dos Graus Inefáveis, do Capítulo Rosa Cruz, os Cavaleiros Kadosh e outros, chegando ao ápice, ao estrelato para a grande maioria; o Supremo Conselho dos Grandes Inspetores Gerais da Ordem, o disputadíssimo grau 33º ?
Onde estão os que ostentam suas medalhas, seus altos cargos, seus paramentos, que de tão pomposos que ficam, não é de se duvidar que, se o G.’.A.’.D.’.U.’. chegasse por perto talvez algum destes perguntaria:
– Se você quiser eu te indico onde comprar um avental melhor para você, igual ao meu?
Como é possível esta quantidade de Homens de Preto estarem infestando nosso meio sem serem barrados, desmascarados, excluídos?
Nossa Ordem é perfeita, porém já a conheço o suficiente para alertar ao Homens Livres e de Bons Costumes que a maçonaria brasileira está perdendo sua origem, saiu da sua trajetória, pois já foi mais atuante, e também tinha sobre seu controle estes “Homens de Preto” que hoje envergonham os verdadeiros Maçons e a Maçonaria.
Estes Homens de Preto que chegam ao cúmulo de se juntarem para humilhar, ofender, caluniar, prejudicar outro Ir.’. ou IIr.’.
Homens que já envergam uma idade considerável, suficiente para saberem tudo da vida, para dar exemplos, e no entanto agem como porcos ao disputarem um pouco de lavagem.
Sorrateiros, exímios manipuladores e articuladores que trabalham nas trevas e nas sombras da ignorância de muitos.
Querem o poder a qualquer preço, querem se fazer notar, querem massagear seus egos, impedindo através de ameaças e leis ( que eles criaram em seus próprios benefícios), o Maçom Livre e de Bons Costumes de seguir a trilha da verdade, tolhendo o direito de ir e vir de cada um, e ainda assim conseguem, aos olhos dos incautos, posarem de bons moços.
E outros tantos que sequer existiam, e foram trazidos, conduzidos, pelas mãos de homens honrados e assim iniciados em nossos augustos mistérios, e agora tramam e prejudicam seus próprios padrinhos e aqueles que um dia os acolheram com tanto carinho e dedicação.
Outros tantos que, mesmo estando já na Ordem, não passavam de ilustres desconhecidos, entretanto foram amparados e apoiados por homens Livres e de Bons Costumes, tiveram seus momentos de Glória, sentiram o calor dos holofotes, e deslumbrados com o centro do palco ainda não conseguiram o discernimento, para entender que estas situações são passageiras, nada vem de graça, somente o impulso inicial é favorecido, os aplausos não são obrigatórios, ninguém pode viver a sombra de outro por muito tempo, as pessoas são inteligentes, não devemos subestima-las, para continuar a receber aplausos devemos fazer por merece-los.
Inconformados com sua própria incompetência , usam do tempo que viveram parasitando os Livres e de Bons Costumes, desfrutando então da confiança destes, para agredirem, denegrirem, criarem factóides em detrimento daqueles que um dia lhes estenderam as mãos.
E nós o que fazemos? Ficamos nos entreolhando em reuniões, em Ágapes, aproveitando a ocasião para tecer comentários irônicos sobre o erro na ritualística, deste ou daquele Ir.’. durante a sessão. Discutindo sobre o sexo dos anjos, tudo regado a muita bebida alcoólica.
Na verdade somos um bando de covardes.. sim, um bando de Maçons Covardes que não temos sequer a coragem de se levantar para pedir ou tomar providências contra estes Homens de Preto. Para pedir o quanto antes que, esta matilha de cínicos, oportunistas, invejosos e traiçoeiros sejam excluídos de nosso meio.
A culpa é toda nossa, quando vemos muitos adormecidos e outros adormecendo, quando observamos a evasão dos Obreiros de suas lojas, o alto volume de pedidos de Quite-Placet, afinal o descontentamento é geral entre os Livres e de Bons Costumes que felizmente conseguem ver através do véu da hipocrisia.
Levantem-se IIr.’., mexam-se, façam o que tem que ser feito. Sintam vergonha de até agora não terem feito nada, sigam os exemplos de nossos IIr.’. Gonçalves Ledo, Montesuma e muitos outros que honraram seu aventais no passado. Estes nos deixaram seu legado, mostraram e nos mostram a todo instante o caminho a percorrer, as atitudes a serem tomadas, só não as vê quem não quer.
Foram realmente Homens Livres e de Bons Costumes.
E você, se considera um Maçom de fato e de direito? És Livre e de Bons Costumes? Está honrando os seus juramentos feitos ao GADU? Ou está honrando os juramentos feitos para o seu Grão Mestre? Está seguindo os preceitos da nossa Ordem, seus Landmarks?
Pense nisso e reflita, para não ficar, ou continuar sendo apenas mais um no contexto, um mero pagador de mensalidades, submisso aos caprichos de um Ditador vestido em pele de cordeiro ou fantasiado de Grande Mandatário de sua Obediência e seus vassalos. (Weber Varrasquim, 33º)







